sábado, 30 de abril de 2016

ATO DE CELEBRAÇÃO DO "DIA DA FREGUESIA" DE LANHESES (Viana do Castelo)


                                                                 A MESA


              Decorreu ontem na sede da Junta de Freguesia a celebração do "DIA DA FREGUESIA" DE LANHESES (Viana do Castelo), visando comemorar a elevação da freguesia a concelho por Decreto régio de D. Maria I datado de 29 de Abril de 1793, concedido a Sebastião de Abreu Pereira Cyrne Peixoto, Sargento Mor do Reino, o qual viria a ser extinto em 1835 com a abolição no ano anterior dos senhorios, pondo fim a 42 anos da designação de "Vila Nova de Lanhezes".

     As cerimónias principiaram na Igreja paroquial com a colocação de uma coroa de flores no túmulo da Casa dos Ricaldes existente na capela mor, pelo representante dos Condes de Almada, D. Lourenço de Almada, atual titular da Casa do Paço na linha parental da filha única de Sebastião Peixoto, D. Maria Francisca de Abreu Pereira Cirne Peixoto e Ricalde esposa de D. Antão José Maria de Almada, no que foi acompanhado pelo presidente da Junta de Freguesia, Filipe Rocha.

                          Filipe Rocha, presidente da Junta
    

            Em sessão solene iniciada a partir das  20:30 horas que decorreu no Auditório Gabriel Gonçalves , com a presença do Executivo da Junta de Freguesia e, em representação da Câmara Municipal concelhia, do vereador para o desporto e lazer, Vítor Lemos, o presidente Filipe Rocha deu início às intervenções fazendo uma breve introdução sobre o que a evocação da data tem de significante para a história de freguesia, o crescente desenvolvimento desta e as aspirações que a animam e que os lanhesenses pretendem ver concretizadas, para a seguir, abordar a escolha da ação da imprensa em prol de Lanheses como tema da comemoração deste ano sobre a qual versa a Exposição montada na Biblioteca e Museu da Sede da Junta. Para falar sobre o assunto, passou a palavra ao convidado Amaro Rocha, do lugar da Taboneira, um lanhesense muito interessado que procura acompanhar a par e passo as atividades e acontecimentos da atualidade comunitária que vão acontecendo na freguesia e que regista e conserva para memória futura e que agora cedeu para a Exposição aberta ao público. A encerrar a cerimónia mais formal usou da palavra o vereador Vítor Lemos  para manifestar a sua satisfação por estar de novo com a gente de Lanheses por quem nutre especial apreço e cujo desenvolvimento em vários campos da economia vem observando com muito agrado, aproveitando para anunciar a criação para breve no Parque Empresarial na Zona Industrial de mais três ou quatro novas fábricas na área da indústria automóvel, as quais não deixarão de ter reflexos na diminuição da taxa de desemprego no concelho de Viana do Castelo atualmente na ordem dos 12% que espera poder ver baixar até menos de  11%.

                                         Amaro Rocha
       

      Na sala da Biblioteca e no Museu foi a seguir aberta a Exposição do material recolhido sobre a atividade da imprensa na freguesia por ação de Rosa Castroe outros colaboradores, onde constam exemplares de edições de jornais publicados por diferentes entidades, entretanto extintos, bem como as que recorrem aos bloggers explorando as novas tecnologias. João Castro e Silva, mediador de seguros residente no lugar da Casal Maior, foi quem mais contribuiu para a amostragem de edições de publicações em papel graças à recolha que tem vindo a fazer por iniciativa própria ao longo de muitos anos. Como nota curiosa está exposto um exemplar manuscrito por Manuel Castro, com o preço de um escudo (!). Quiçá por opção, não foi feita qualquer referência à existência de correspondentes locais de órgãos de informação concelhios, como a "A Aurora do Lima" e outros.



                                 Vitor Lemos, vereador.

            Filipe Rocha abriu também um novo portal da Junta com expressiva  configuração e atualização, introduzindo opções a que os cidadãos poderão aceder para resolver assuntos sem necessidade de deslocação aos serviços administrativos. 
    
      No alpendre da sede da Junta decorreu depois um Porto de honra com a participação de todos os presentes, tendo sido servidos alguns petiscos caseiros com vinho verde da região, seguindo-se a reprise no Auditório Gabriel Gonçalves da rábula "Ai, Senhor Professor!", pelo Teatro Amador de Lanheses (TAL), há pouco tempo estreada no mesmo local, com que ficou preenchido o programa estabelecido para a celebração do Dia da Freguesia de 2016.

                 Daniel Rodrigues, pároco residente da freguesia
 


Fotos: doLethes
Remígio Costa

                                 O NOVO PORTAL DA JUNTA





                                             
                                                JORNAIS EM EXPOSIÇÃO




                                                Vítor Lemos e Jone Costa

                                              João Castro e Silva










                                                         BLOGUES


                                PORTO DE HONRA
      


                                            AI, SENHOR PROFESSOR!










                                  T.A.L. / Teatro Amador de Lanheses

                                     sinopse e elenco

                                           Publico

 RC.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

SÃO TRÊS, À SÉTIMA VEZ!

           

          Já estavam confirmados dois filhotes das cegonhas brancas e, agora, posso garantir que é, afinal, de três o número da ninhada desta época, a sétima desde que a espécie migratória se instalou em Lanheses no ano de 2010. Com o sol a bater forte no ninho da chaminé do edifício da rua de Santa Eulália e um dos adultos a fazer sombra para atenuar os efeitos do calor sobre os "bebés", quem por ali passa terá oportunidade de ver três cabecitas erguidas, sendo que duas delas se veem mais vezes ao mesmo tempo. 

        Aqui ficam as imagens recentes da nova família de Dona Lala e Sr. Silva. 





 

 Fotos: doLethes
Remígio Costa

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O TABULEIRO DA NAMORADA MORDOMA



             Jovem mordoma em traje regional


        Nas festas de maior expressão religiosa cristã que se realizam anualmente na nossa freguesia há muitas gerações, são proclamados pelos organizadores, pelo menos uma vez enquanto jovens, mordomas e mordomos do orago festejado. Por vezes, são de novo nomeados nos anos posteriores mas para servir patrono diferente; contudo, há quem por razões pessoais, quiçá promessa a cumprir, queira repetir uma ou mais vezes a mordomia.
 
          Os mordomos ajudam nas operações de montagem do arraial que competem aos festeiros, conduzem aos ombros o andor na procissão onde vai o Santo da correspondente mordomia e dão um contributo monetário para as despesas consoante as posses. E desfilam com as mordomas no cortejo dos tabuleiros. Em tempos recuados, colaboravam no cobrimento das varas de pinheiro das bandeiras e dos coretos improvisados no arraial, ajudando a namorada a atar os ramos de bucho.  As mordomas, por sua vez, para além de coadjuvarem nos arranjos florais e limpeza do altar, encarregam-se nas festas mais solenes de atapetar com figuras desenhadas com flores e serrim ou mesmo sal coloridos, troços do percurso onde irá passar a procissão; porém, o encargo de maior relevo que elas assumiam era o de compor um tabuleiro com variados géneros, comestíveis ou não, para ser arrematado no principal dia da festa.

           Nos tempos mais recentes a apresentação de tabuleiros próprios já não é tão personalizada como se verificava no passado de que divergem porque são agora em maior parte resultado de uma coleta de bens por lugares onde transparece um mal disfarçado espírito competitivo e o valor e a qualidade global da sua composição podem marcar a diferença na hora da licitação.


           Recuando ao tempo onde principia o surto migratório que trouxe um maior desafogo financeiro a uma grande parte das famílias do paupérrimo alto minho,  designadamente aos jovens solteiros à procura de noiva, as prestações das mordomias possuíam particularidades bem distintas das atuais no que diz respeito à variedade e géneros que entravam na constituição dos tabuleiros e à posterior arrematação em “hasta pública”, se é legítima a qualificação de um espontâneo leiloeiro a apregoar um a um os artigos ofertados. Se, nos tempos de agora, se recorre às grandes superfícies para comprar as batatas fritas e o scotch whisky, o bolo de pão de ló, a garrafa de vinho fino ou os enchidos feitos com carne importada, no tempo a que reporto estes leilões não havia outra alternativa senão a de ir buscar ao fumeiro próprio e à salgadeira o presunto e o chouriço caseiros do porco cevado de dois anos a comer lavadura e milho, encher na adega da melhor pipa o garrafão de cinco litros de verde carrascão de três estalos (com a língua, obviamente) e levar à cabeça para o leilão o tabuleiro na esperançosa ansiedade de saber se o namorado mordomo possuía fundos bastantes que cobrissem lances “viciados” ou viesse a sua oferta a ser vencida por golpe malandro e cínico de algum (ainda) encoberto pretendente a “romper a asa” com a dona do tabuleiro já comprometida. Ele, nervoso, suando frio, assistia à licitação do pregoeiro cobrindo com um gesto tímido da mão cada um dos lances surgidos a contar  cada segundo como minuto à espera de ouvir ninguém dá mais uma, ninguém dá mais duas, duas e meia e três! -Uf!, Terminou! -Vai para o namorado da mordoma, aquele penteadinho de gravata de flor e lenço no bolso do casaco.  Depois do transe vivido, o arrematante aliviado por não ter sido “desfeiteado” publicamente por atrevido rival, ficava junto da moça que sorria de satisfeita com o tabuleiro na cabeça sobre a rodilha, seguiam ao encontro da família da mordoma para merendar o conteúdo do tabuleiro à sombra de uma ramada ou árvore frondosa existentes no recinto da festa.

                                          

            Ao cair da noite, o rapaz acompanhava a namorada mordoma caminhando a par pela estrada até à casa dos pais com a sol a pôr-se, ela, sobraçando o tabuleiro com a toalha branca de linho a cobrir o que de comer restara, ele, agora impante e chieirento todo sorrisos e ar de triunfador levando na mão o foguete de seis cartuchos a que tinha direito pela tradição na qualidade de mordomo, para queimar antes de se despedir da rapariga já quando a mãe, de dentro de casa, a chamara por três vezes.


       Mordomas de Lanheses em 2015 - Festa do Senhor do Cruzeiro e das Necessidades


Fotos: arquivo doLethes (2015)
Abril/2016
Remígio Costa