segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A EXTRAORDINÁRIA RESILIÊNCIA DO VETUSTO RODODENDRO DO JARDIM DA CASA DO PAÇO, EM LANHESES (Viana do Castelo)

   

               O tronco do rododendro do qual apenas um dos seus braços continua vivo.

              É como se a vida emanasse de um esqueleto humano, é o que se pode concluir do facto de o centenário RODODENDRO existente no jardim da Casa do Paço dos Condes de Almada, em Lanheses (Viana do Castelo), continuar surpreendentemente com a seiva a circular no tronco em decomposição, alimentando um único ramo onde uma flor já abriu e mais cerca de trinta outras em breve irão enfeitar e formar o ramalhete que atesta a sua extraordinária resiliência na  luta pela sobrevivência.  Amputado de grande parte dos seus ramos, porque inúteis, ergue-se para o alto em forma de "V" o que resta do corpo seco do arbusto feito árvore pelos anos de vida somados e, horizontalmente, carcomido, esburacado e a desfazer-se um braço falsamente inútil porque, de si nasce a tocar o solo, um ramo com folhas verdes carregado de botões em vias de mostrarem as belas flores de aveludado carmim.  



                      Folhas verdes do ramo nascido na ponta de um dos braços onde mais de trinta novas flores estarão em breve abertas.

             Certamente mais antigo do que o pelourinho símbolo do domínio autárquico do extinto concelho de Vila Nova de Lanheses, considerado monumento de interesse público, que perto dele se levanta, o rododendro testemunha a vivência de algumas gerações da família Almada, discreto sob a farta ramada de uma magnólia gigante teimosamente agarrado à vida  pelo húmus que as suas decrépitas raízes  são capazes de filtrar da terra.

     Até quando!? 



       O braço carcomido na ponta do qual cresce o ramo com folhas verdes e flores.





       Pelourinho da antiga Vila de Lanheses, classificado monumento de interesse público.

Fotos: doLethes
Remígio Costa 

O FUTEBOL DA NOSSA TERRA



 (ZeroZero)

AF Viana do Castelo
Primeira Divisão
2016.02.28

    ADC Paçô (Arcos de Valdevez), 0 - UD LANHESES, 1

     UM GRANDE "PAÇÔ" EM FRENTE!

JORNADA 22 - RESULTADOS
Classificação



PRÓXIMA JORNADA:
13/03Atl. Arcos-FC Vila Franca
 AD Campos-Vitorino de Piães

 SC Courense-ADC Correlhã
 AD Chafé-ARC Paçô
 UD Lanheses-Monção
 GD Moreira do Lima-Castelense
 Valenciano-Ponte da Barca
 Vila Fria-Cerveira

domingo, 28 de fevereiro de 2016

CAI NEVE EM NOVA IORQUE, POR JOSÉ CID.

             




           JOSÉ CID também atuou em Lanheses, mas o espetáculo decorreu já no pavilhão da nova casa do povo. Não me recordo do ano em que ele por cá passou apenas tenho a certeza de que terá sido nos primeiros anos após a revolução de 25 de Abril de 1974, isto é, praticamente nos primeiros anos de uma longa carreira que  ainda prossegue com bastante êxito. O cantor-compositor tem um vastíssimo e valioso reportório que continua a interpretar nas grandes salas do país (e fora dele) contando com um grande número de apreciadores, entre os quais me incorporo. Tarefa bastante ingrata é fazer a escolha de uma composição das muitas que O Zé Cid criou e interpreta. Atendendo à época que atravessamos e o facto de no dia de ontem termos visto nevar nesta região pouco habituada a fenómenos desta natureza, optei por uma das que mais (ainda) gosto de ouvir, "CAI NEVE EM NOVA IORQUE".





Foto: doLethes

sábado, 27 de fevereiro de 2016

NEVOU NA SERRA D'ARGA!

   

             Não é muito frequente ver-se a Serra d'Arga branca de neve como hoje aconteceu, manhã cedo. Com o raiar do sol a incidir sobre o topo da montanha onde se ergue o templo a Nossa Senhora do Minho,  o maciço cinzento do local  veste-se de uma tonalidade esbranquiçada a formar um véu, ou touca, que lhe confere uma imagem bem diferente do habitual. Por enquanto, o aparecimento da neve só está a acontecer na meseta da Serra d'Arga não sendo de excluir a possibilidade de nevar (pelo aspeto das nuvens) também no vale do Lima, fenómeno que já não acontece há alguns anos, para estas bandas.









Fotos: doLETHES
Remígio Costa

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

APPACDM-CRPL - Crowdfunding homelift

PEDIDO DE DIVULGAÇÃO
 
Vimos desta forma divulgar a nossa campanha de crowdfunding para a aquisição de uma plataforma elevatória (homelift).
O seu apoio é muito importante.
Entre neste projeto que agora também é seu, clicando no seguinte link
Angariar dinheiro para a aquisição de uma plataforma elevatória vertical: homelift.
Objetivo: 
5 000 €

Todos seremos muitos!
Mesmo que não possam colaborar financeiramente nesta campanha, pedimos que a divulguem pelo maior número de contactos possível.
Em nome de todos os clientes e colaboradores,
Muito Obrigado.

Conceição Cunha MSc.Diretora do Centro de Reabilitação de Ponte de Lima da APPACDM de Viana do Castelo
Rua Agostinho José Taveira, nº 615
4990 - 072 Ponte de Lima
Telf. 258931500 / 910303260
e-mail: dir-plima@appacdm-viana.pt
 

FOTOS MOLHADAS

              Nem lampreias no Lima nem fotografias sem chuva. Ano bastante atípico quanto ao estado do tempo com muitos dias de forte pluviosidade mesmo que natural na estação de inverno que ainda dita o calendário.. 

          E, se há dias em que as fotografias retratam a paisagem assim,






em alguns outros só desta maneira: MOLHADAS.





Fotos: doLETHES
Remígio Costa

O FUTEBOL DA NOSSA TERRA - Atividade para o fim de semana.



                                  Jornada crucial para as aspirações do União Desportiva de Lanheses (UDL) para  não adiar para as últimas jornadas a possibilidade de não se deixar cair na zona de despromoção, sendo imperioso vencer neste domingo a SRC de Paçô (Arcos de Valdevez) que segue no penúltimo lugar da classificação geral (15º) com 15 pontos, menos seis do que o UDL que ocupa o 13º posto com 21. A jornada pode vir ainda a beneficiar a posição dos lanhesenses relativamente aos seus adversários mais diretos se o Campos (com 21 pontos no 12 posto) ceder pontos em Vila Franca e o Castelense (em 11º lugar com os mesmos 21) não conseguir vencer no seu terreno o Valenciano.
                                 

                                
JORNADA 22
28/02FC Vila Franca-AD Campos
Vitorino de Piães-SC Courense
ADC Correlhã-AD Chafé
ARC Paçô-UD Lanheses
Monção-GD Moreira do Lima
Castelense-Valenciano
Ponte da Barca-Vila Fria
Cerveira-Atl. Arcos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

COLABORAÇÃO DA ACADEMIA SÉNIOR DO IPVC EM INICIATIVA DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE LANHESES (Viana do Castelo)

  Workshop de cerâmica - decoração de chávenas com motivos orientais ( projeto leituras d' oriente e d' Ocidente)

 

Para todos os que gostam de acompanhar o trabalho da Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolar de Agra e Lima , deixamos um convite para verem o talento dos alunos da Escola Secundária na pintura de cerâmica. 

No âmbito do Projeto « Leituras d' Oriente e d' Ocidente - Troca de cheiros, sabores e saberes » a turma do 6º ano turma B participou num workshop de pintura em cerâmica coordenado pela Engenheira Rosa Venâncio e pela Academia Sénior da Escola Superior de Tecnologia e Gestão. As chávenas pintadas com motivos inspirados na exposição que os alunos visitaram na Biblioteca Escolar ( Tesouros d' Além -Mar) e na visita ao Museu do Oriente  vão servir para os alunos e professores degustaram chá oriental no dia em que será feita na Biblioteca uma recriação da cerimónia do chá. Esta recriação será feita por duas professoras do Instituto Confúcio da Universidade do Minho e será seguida de uma conferência feita por alunos da turma sobre o Chá.
Para que as chávenas fiquem prontas irão agora cozer aos fornos da ESTG , tarefa que ficará à responsabilidade da BE e da Academia Sénior. 

Façam favor de entrar na sala de educação visual 


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

CACHOPA DO MINHO, CANTADA POR ARTUR RIBEIRO.

                Depois de por Lanheses ter passado o famoso Alberto Ribeiro com um  espetáculo que decorreu na antiga casa do povo com lotação esgotada, outro artista de música popular ligeira muito em voga na mesma altura, ARTUR RIBEIRO  promoveu  no mesmo local idêntico sarau, mas, agora, com a presença de pouco mais de uma dezena de espectadores. Tão reduzido número de pessoas na sala não aconteceu porque o cantor não gozasse de grande popularidade, pois tinha um rico reportório com várias canções que andavam de boca em boca, mas, devido ao facto de à hora prevista para o início da soiré, nem ele ou qualquer outro elemento do seu grupo terem comparecido no local. O atraso aconteceu (veio a saber-se mais tarde) devido à duração de um espetáculo levado a cabo nessa mesma tarde em Vila Praia de Âncora e os muitos interessados que esperavam poder assistir à sessão em Lanheses, cansados de esperar, abandonaram o local depois de terem aguardado a comitiva perto de duas horas. 

                Restando um tão baixo número de pessoas com bilhete adquirido para assistirem ao espetáculo, Artur Ribeiro ainda hesitou não evidenciando muito interesse em dar início à sessão. Porém, os poucos presentes interessados de que fazia parte Matias do Gregório, figura considerada no meio social local muito experiente, "exigiram" que a sessão se cumprisse, o que veio a acontecer com muito profissionalismo por parte da companhia e com total agrado dos "resistentes" até cerca das duas da manhã.

               Não é tarefa fácil escolher entre as muitas lindas interpretações que Artur Ribeiro nos legou; optei por esta que canta a mulher do Minho, bem representativa da fértil época dos anos cinquenta.

                

              

              

sábado, 20 de fevereiro de 2016

NÃO FAÇAS COMO A COBRA.

           Tu gostas de andar junto ao Lima que eu bem vejo: homens, mulheres, velhos e novos. Então, quando o dia se apresenta tão simpático e convidativo, soalheiro, temperado e calmo como o deste sábado de início do último terço de Fevereiro, o local é (mesmo!) muito aprazível e convidativo para uns momentos de tranquilo regalo pessoal. Mas, então!? para onde olhas que não vês isto? O quê!?. Onde? 

Aqui, a teus pés. 


Assim, vês melhor.




         Não te incomoda? Parece-te bem que "isto" faça parte da paisagem de que tanto gostas, hein? Não!

Então,


          Cria um bom hábito. Colabora, sem custo nem custos. Pegas nelas, pois há aqui um saco que tem uma finalidade que alguns desconhecem. Também és desses? Não, claro! (Ainda bem). Então,


            Não sejas cobra. Estas, não têm preocupações a não ser comer e...dormir. Tu és desses?


Colabora que a Natureza adora.

Fotos: doLethes
Remígio Costa 
       

ALBERTO RIBEIRO CANTA "FADO HILÁRIO"

        É um dos maior vultos da história da canção portuguesa. Com Amália Rodrigues contracenou em "Capas Negras", um dos filmes a preto e branco de que foi protagonista que "fez furor" nos anos cinquenta do século XX. Atuou na (antiga) Casa do Povo de Lanheses fazendo parte de uma companhia com outros artistas em digressão pelo país, a que assisti, depois de com ele e outras pessoas ter convivido antes do espetáculo tomando café no "João do Vale" (café do Berto).  Do seu vasto reportório seleciono um dos grande sucessos de ALBERTO RIBEIRO, o "Fado Hilário", um dos seus temas mais apreciados.



A VISITA PASCAL NA QUINTA DE S. FILIPE.

 
Drª Ana Maria Craveiro Malheiro Pereira da Castro
Licª em História (UC)
Professora jubilada do ensino secundário com exercício docente em vários estabelecimentos de ensino, designadamente no Externato liceal e Escola EB 2,3/S, em Lanheses, onde concluiu a carreira.
Tem residência nesta freguesia na Quinta de S. Filipe a qual pertenceu ao seu pai Capitão Gaspar M. Pereira de Castro, emérita figura da freguesia de Lanheses (Viana do Castelo). 
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              Quando eu era pequena a Páscoa era uma festa mais bonita e alegre. Começava a festejar-se no sábado, era o sábado da Aleluia. Tocavam os sinos logo de manhã e cantavam "Aleluia, Aleluia, ressuscitou Nosso Senhor". O resto já não me recordo. Lembro-me também que era sempre nesse dia que o sr. Souto, nosso vizinho, lavrava o campo grande. A última leira antes da Páscoa era a leira dos doces trazidos em geral pelas sardinheiras. No Domingo íamos à missa logo de manhãzinha e vínhamos a correr para casa pois a nossa Cruz era das primeiras. Deitávamos pétalas de flores e verdes desde o portão até à entrada da casa. Enquanto o meu Pai e uma de nós (1) iam esperar o sr. Padre e a Mãe e a outra ficavam na sala de visitas onde se dava a Cruz a beijar. Nesta estavam alguns homens, amigos do Pai. Na mesa não podia faltar o pão de ló, os doces brancos comprados no Zé da Prazeres (2), as amêndoas e o vinho do Porto. Numa das arcas da sala desenhava-se com flores o feitio da Cruz para que o mordomo lá a pusesse. Noutro sítio uma taça com sete ovos e uma maçã da porta-de-loja com uma moeda de dez escudos espetada.

Na varanda muitos rapazes e outras pessoas eram servidos por duas criadas. Uma levava um tabuleiro com doces brancos, beijinhos e bolachas e a outra canecas com vinho.

Quando o senhor. Abade ia embora era sempre acompanhado até ao fim da Quinta pelo Pai e nós as duas (3). Sempre que o mordomo era nosso conhecido lá íamos, no Domingo, participar no tradicional "jantar da Páscoa", que ele oferecia na sua casa. Almoço com imensos pratos e muitas demoras.

(1) Eram duas irmãs. (2) Pasteleiro, estabelecido, ao tempo, em Viana do Castelo, na Rua Manuel Espregueira, natural de Lanheses. (3) Maria Clara e Ana Maria, filhas. Notas do gestor do blogue.

AMC.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

TERRA OU AR, A ESCOLHA É TUA.

PÉS NA TERRA...
 




...CABEÇA NO AR.
 





Fotos: doLethes
Remígio Costa 

A TOUCA BRANCA DA SERRA AMARELA.

             
             Com o céu limpo e sol brilhante a vista alcança maiores distâncias e descobre cenários não insólitos porque prováveis em função das condições atmosféricas, mas diferentes do que é mais comum e normal na região do Alto Minho. É o caso de ontem ter sido possível avistar coberto de neve o maciço montanhoso da área de Arcos de Valdevez, (que presumo tratar-se da serra Amarela) alguns quilómetros distante de Lanheses,  a  nordeste, com o cume gelado a brilhar pela incidência dos raios solares a contrastar com a encosta arborizada da Bualhosa em Ponte de Lima.




Fotos: doLethes
Remígio Costa

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

ARCO-IRIS NAS PALAVRAS ESCRITAS.

                                             14 de fevereiro de 2016

                    Partilhei, antes, no face onde as imagens preferem às letras alinhadas (bem ou mal)  das palavras onde moram os pensamentos.  No doLethes intenta-se dar às letras a primazia da voz que a mudez da cópia do real nem sempre consegue dizer. Tarefa por demais distante (no que me respeita) quando o propósito seria pincelar as palavras certas numa tela a representar o arco-iris. Fácil seria escolher as (sete) cores e ordená-las geometricamente para formar a meia lua do arco, a compasso.  Impossível é medir a extensão proporcional da beleza do seu enquadramento natural de forma a criar o poema (ou texto) onde todo ele coubesse e (por todos) pudesse ser entendido.

Foto: doLethes
Remígio Costa 

FALECIMENTO.

                             





                 MARIA DAS MERCÊS DA SILVA E CASTRO, viúva, de 91 anos de idade, com domicílio no Lugar da Bajouca, nesta freguesia faleceu hoje, segunda feira dia 15 de Fevereiro, por motivo de doença. 


                 O funeral da nossa conterrânea está marcado para amanhã, terça feira dia 16, pelas 15:30 horas, saindo o corpo em cortejo fúnebre da capela mortuária de Nª Senhora da Esperança onde se encontra exposto em câmara ardente para a Igreja Paroquial onde decorrerão as cerimónias religiosas, findas as quais irá a sepultar no cemitério desta freguesia de Lanheses.

                            Em nome pessoal e da minha família apresento aos familiares da extinta as nossas condolências.

VER O LIMA COM OS OLHOS DA ALMA.

No prelúdio de uma manhã de um dia da primeira semana do mês de Fevereiro corrente, fui ao rio Lima registar em vídeo o despertar da vida ambiental do sítio da Passagem, onde bem cedo homem e Natureza se aliam na azáfama diária que assegura a animação e a vitalidade do dia a começar.  Diz-me mais o alvor que anuncia a nova visita do astro rei que a sua despedida ao fim da jornada. Há beleza no Ocidente da despedida, chega a alegria e a esperança que renova, do Oriente. Dia e noite, vida e pausa para recomeçar.

O registo é de amador voluntarioso, todavia (claramente) iniciado. Muita boa vontade (é uma virtude, convenhamos) que não elimina os defeitos técnicos, mas que procura focar o essencial: a mansidão do rio, o despertar da vida, os sinais vindos de cima e se espelham na água ainda dolente como num alongamento de relaxe de acordar,  e o afã dos barqueiros em gestos repetidos do princípio das coisas, nos barcos a pescar.


Venham ver.

(Ver em tela inteira)


Vídeo: doLethes
Remígio Costa

sábado, 13 de fevereiro de 2016

CHOVE CHUVA, CHOVE SEM PARAR.

                  
               Um mortal deita-se para dormir e chove, por enquanto, lá fora; eu não disse nada mas pensei -continua a chover. Às tantas, acorda (há necessidades...) e ouve o cantar da chuva na persiana da janela (continua a chover, ouve-se, nem precisa ver). Levanta-se de manhã, mete-se debaixo do chuveiro e sente um bátega de água a cair sobre a cabeça (e na carteira, está a pensar, pois é água da rede pública que se paga-se com ou sem língua de palmo); de graça, é a que ele continua a ouvir (depois de fechar a torneira) a cantar no telhado e deduz ( esta mania que o cidadão tem de fazer deduções, deduz muito um cidadão) que a chuva não dormiu (ora, dorme lá, a chuva) e, de novo, repete a dedução: -está a chover! (Bravo!). E assim sucessivamente. 



                Estive de manhã no Estádio dr. José de Matos do idoso -118 aninhos, velhinho!-  Sport Clube Vianense (ainda Estádio dr. José de Matos, do SC Vianense, velho muito velhinho e, para mais,  pobrezinho, coitadinho, à beira de passar a ser um condomínio privado ou superfície comercial lucrativa). Gaivotas, bastantes, no relvado roto de veste de indigente, catando vermes do cadáver a decompor-se. Andei por ali há um ror de anos (andei? Não, corri...) enterrado algumas vezes na lama do piso de saibro lamacento. No lado norte, o relvado sintético do campo de treino, alagado (também em Viana chove, ora essa, que "Maria vai com as outras" e Viana é terra de Marias, com ou sem traje "à minhota". Ah, continua a chover (noto pela água que tenho nos sapatos e por sentir os pés húmidos; de pouco serve ter o guarda chuva aberto). É fácil distinguir o Luís Pedro: tem na camisola estampado o número 23, não merece a pena memorizá-lo, é o mais alto elemento da equipa, o meu neto rapaz. Faz movimentos (ainda) de aquecimento com a restante equipa (a chuva, fria, encharca-lhe a camisola azul, o cabelo mesmo curto cai-lhe para a testa). Os miúdos parecem patinhos a chapinhar numa banheira de brincar. Chegam os do Sporting (a chuva já cá estava, posso garanti-lo) e principia o divertimento. Atacais vós, defendemos nós, agora seguimos nós para o ataque, recuais vós para a defesa. À molhada, molhados. Caem, levantam-se. A seguir, levantam-se e voltam a cair. O Luís Pedro, joga atrás, é beck, desfaz uma incursão pela direita do fedelho leão, bate para a frente nas costas da defesa contrária, um reguila avançado da sua equipa "armado" em Messi leva a bola até perto da baliza contrária, o remate sai de encontro às pernas de um defesa, entrega-se redonda para um seu colega e...1-0 à boca da baliza. Viva, viva o Vianense, viva! Fiz frente à chuva até ao intervalo (avô gosta de cumprir promessas feitas aos netos). Com os pés molhados e as calças ensopadas, saí a vencer (pelo Luís Pedro). Vou saber como terminou, depois, com a certeza de que o triunfo ou o desaire, será sempre ensopado. Chove mais, lembrem-se.


             De automóvel pode-se chegar ao rio Lima sem recear ficar sem uma linha enxuta da roupa que veste. Fui lá, depois do almoço (dentro do carro, nem seria preciso escrever, pois detesto tomar banho vestido e sapatos secos, não dá jeito nenhum limpar com a toalha o fato molhado) e, outros mais faziam o mesmo que eu (vão ali ver a massa líquida incontida da corrente nos limites das margens e os troncos que ela arrasta, penso eu e estou certo do que digo). Rio cheio, a transbordar, um barco de proa à vista quase submerso e o Caninhas a devolver ao rio a água que o água-arriba lhe tirou vinda das nuvens. Faz isto todos os dias, o Caninhas, e pagam-lhe zero euros que ele, agora, faz apenas o que quer e gosta de fazer. Registo com a Canon através da janela aberta com os pingos a perturbar a lente, e a mim, o estado em que a chuva deixou os terrenos alagadiços do Parque Verde. Uma garça aproveita e trata de alimentar-se, pouco impressionada com o lençol natural que a chuva criou. É branca, não é águia, disso eu tenho a certeza, essas são vermelhas ou parecem...


            Tanta, tanta é a chuva que já cansa, ainda mais que os impostos que nos cobram para equilibrar a balança, dizem eles. Balança de braços viciados, porque sempre inclina um prato para o mesmo lado (E não há chuva bastante que os afogue num instante! Todos). Estaríamos seguros de que jamais se lembrariam de criar um imposto para pagarmos a água que o céu nos traz de graça. - Abrenúncio, t'arrenego chifrudo!







 

Fotos: doLethes
Remígio Costa