quarta-feira, 4 de julho de 2012

ENGENHEIROS E DOUTORES (E TAMBÉM DEPUTADOS).

          Há dias atrás levantou-se neste blogue acesa polémica pelo uso do título académico no relacionamento entre as pessoas, considerando alguns que esta prática configura uma situação de subserviência por parte de quem a usa e uma exigência de estatuto para quem a aceita (ás vezes exige).

          Foi tempo em que o acesso ao ensino superior era privilégio de alguns quer pelos avultados recursos económicos que exigia às famílias dos candidatos ao ensino superior, quer pelo reduzido número de universidades existentes e, sobretudo, pela EXIGÊNCIA a que eram obrigados os candidatos às diferentes licenciaturas.

          Felizmente que o panorama actual é bem diferente, para melhor, graças a multiplicação dos estabelecimentos escolares, à melhoria económica da sociedade em geral, e, na actualidade, com menores ou maiores dificuldades, há um número incomparavelmente superior de estudantes que concluem cursos universitários de grau superior.

          Não se pode afirmar porém que todos os diplomas emitidos sejam meritórios e que os seus detentores brilhantes cérebros e homens de saber. São cada vez mais os casos divulgados de facilitismo e fraude na obtenção de habilitações académicas de grau superior, o que em nada contribui, antes pelo contrário, para o prestígio que tais cursos antes conferiam.


          O caso que hoje vem a lume é verdadeiramente assombroso: um cidadão (ainda desta vez político) consegue uma licenciatura em apenas UM ANO, quando, mesmo após Bolonha, o período previsto é de TRÊS anos.

         Sem dúvida, PRODIGIOSO!

 

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(do Jornal Público, online)

"Licenciatura de Relvas: curso num ano “não é de todo vulgar

Quando pediu para ser admitido na Lusófona, Relvas já tinha sido deputado e secretário de Estado  
"Quando pediu para ser admitido na Lusófona, Relvas já tinha sido deputado e secretário de Estado (Nuno Ferreira Santos)
No currículo tinha uma longa experiência política e vários cargos. Já tinha estado no Governo. E concluíra uma disciplina de Direito em 1985. O ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas requereu a sua admissão à Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (Lisboa) em Setembro de 2006. E concluiu uma licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais em Outubro de 2007, com 11 de classificação final. O curso tem um plano de estudos de 36 cadeiras semestrais, distribuídas por três anos. O presidente da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (Apesp), João Redondo, diz que fazer uma licenciatura de três anos só num ano “não é de todo vulgar”.

14 comentários:

  1. Muito oportuno a colocação deste artigo.

    Vem confirmar aquilo que defendo quanto ao uso de títulos. Porque razão tratar uma pessoa por eng. ou dr. se esse não é o seu nome? Estamos a falar fora do contexto laboral.
    Respeito sim, mas deixemo-nos de exageros.

    É inadmissível, um deputado, por sinal nº2 do actual governo, ter uma licenciatura que foi conseguida num ano. Não há duvidas que estamos perante uma troca de favores políticos. E não venham com a teoria que era génio, pois nesse caso a media não seria 11...

    Se calhar já há licenciaturas nas novas oportunidades.

    Por vezes um pouco de violência resolvia muitas situações, ou pelo menos colocava algumas pessoas em sentido.

    RO

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  2. O povo português anda tão adormecido, caro amigo, tão adormecido!!!! Riram-se daquele que foi para Paris estudar filosofia por não ter a devida licenciatura em engenharia, e anda por aqui um chico-esperto, ainda mais veloz, no que toca a "sacar" licenciaturas! O velho ditado neste caso assenta que nem uma luva - Ri-te do vizinho, vem-te o mal pelo caminho...

    Portugal geograficamente encontra-se na Europa, mas em mentalidade e corrupção está muito bem para enquadrar a lista de países africanos, onde realmente deveria estar localizado geograficamente! Este país está minado pela corrupção e compadrio e, este Relvas, se fosse pessoa idónea já se teria demitido após tantas e tantas denúncias graves em torno da sua pessoa! Se fosse comigo, já o teria feito há muito tempo! Licenciaturas, pelo que se vê neste país, tira-as quem quer, mesmo que seja para engrossar as estatísticas relativas aos números do desemprego...portanto, papeis, nada significam, resta somente a ombridade de carácter, para quem a tem!

    Mais...estes pavões não têm vergonha nenhuma...

    Acorda povo português, acorda...


    Um orgulhoso não licenciado

    Sérgio Moreira!

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  3. A este caso teremos de acrescentar o de Passos Coelho que após ter terminado a licenciatura, aos 37 anos, depois da sua vida Boémia, passou a ser administrador de várias empresas do amigo e companheiro de Partido, Ângelo Correia.

    Estranho...mas foram os portugueses que escolheram este incompetente, somos mesmo pobres de espírito.

    RO

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  4. Não são assim tão poucos aqueles que, por alguma razão, interromperam os estudos e só muitos anos depois os retomaram, aproveitando os dispositivos criados pelo Estado: 86 mil portugueses fizeram-no nos últimos seis anos. E há dois exemplos bem actuais, que são o do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e daquele que é considerado o seu número dois no governo, o ministro Miguel Relvas. NÃO ESTAMOS A FALAR DE NOVAS OPORTUNIDADES, programa que o actual governo MUITO BEM extinguiu, mas sim do regresso à universidade, para terminar aquele curso superior interrompido pelas lides politicas, seguidas de uma vida profissional que deixa pouco tempo para voltar às salas de aula.

    De todos os casos de figuras públicas, fica um argumento transversal de que tirar um curso universitário perto da chamada meia-idade serve principalmente imperativos de contínua valorização curricular, o voltar aos bancos da universidade, também motivada pela exigência pessoal e por gostar de matérias académicas.

    Relvas pode ser um bom exemplo para explicar por que há tantas figuras ligadas à política que adiaram o percurso académico – como António José Seguro (PS), José Sócrates (PS), Hermínio Loureiro (PSD), Miguel Coelho (PS), Manuel Monteiro (o ex-líder do CDS, que ainda em Abril deste ano defendeu a sua tese de doutoramento), Carvalho da Silva (ex-CGTP, hoje professor universitário).

    Seguro, por exemplo começou por frequentar nos anos 80 o curso de Organização e Gestão de Empresas, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, mas acabou por licenciar-se em Relações Internacionais, na Universidade Autónoma de Lisboa, após terminar o mandato de eurodeputado em 2001. Hoje é professor da mesma universidade leccionando as disciplinas de Teoria do Estado e História das Ideias Políticas e Sociais, frequentando ainda o mestrado em Ciência Política.

    O seu camarada Miguel Coelho, suspendeu os estudos, depois de ganhar o gosto pela vida política como dirigente estudantil. O deputado que entrou para a universidade aos 54 anos, admite que tirou “o curso já no fim da vida biológica como político”, isto é, “não tinha quaisquer expectativas em termos de carreira ao tirar o curso”. Foi movido pela “curiosidade intelectual”, “pela necessidade de sistematizar conhecimentos” e de aprender “muitas coisas novas” que Miguel Coelho decidiu tirar Ciências Políticas e Relações Internacionais na Universidade Lusófona, o mesmo curso de Relvas.

    Também Carvalho da Silva, que deixou de liderar a CGTP após 25 anos como secretário-geral, regressou à “vida civil” munido do curso de Sociologia, iniciado em 1995 e terminado em 2000, conseguindo, sete anos depois, concluir o doutoramento em Sociologia “nas vertentes económicas e laborais”. As razões para a incursão universitária do sindicalista prendem-se com “a aquisição de competências e de conhecimento, o que são coisas diferentes”, explicou, acrescentando que o curso lhe “propiciou uma arrumação dos saberes adquiridos”.

    Como bem diz o Sr. Primeiro-Ministro, é um não assunto, pois a licenciatura do Dr. Miguel Relvas, ao contrário de outras, foi obtida com cumprimento de todos os requisitos legais para tal.

    Enfim, são as frustrações dos "do costume", que se entretêm a distrair o povinho, e latinos como somos, já desde o tempo dos Romanos, tudo fica pacifico se houver pão e circo ...

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    1. Pois pois...Amorim!
      Pó para os nossos olhos neste comentário!

      De facto é muito normal frequentar 1 ano de curso e ficar Licenciado, quando apenas tinha uma disciplina concluida.

      Só faltava 1 enfermeiro depois de 20 anos de serviço ir á universidade e pedir equivalência para médico devido à sua experiência.
      (não tenho nada contra os enfermeiros apenas serve de exemplo)

      Mas isto faz algum sentido???

      E atenção que o programa novas oportunidades no seu enquadramento inicial teria tudo para ser exemplar, pena ter sido mal implementado.

      RO

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    2. Caro anónimo, você é um bom representante daquilo que é o nosso Portugal...muita letra, muita explicação, para tão pouca parra!!! Eu não me sinto frustrado, antes pelo contrário e nem tão pouco enganado (já sabia ao que estes marialvas vinham), agora, muitos o devem estar a achar nomeadamente aqueles que, como o senhor, vem à praça pública defender o indefensável e se sentem na obrigação de o defender, por, com vergonha se sentirem enganados! Pelo menos aqueles que enumera frequentaram a Universidade, com aproveitamento em todas as cadeiras em que estavam inscritos e tendo em vista um fim lógico! Aqui, este episódio roça o grotesco em termos de aproveitamento e favorecimento pessoal, tal qual Passos Coelho e o protectorado de Angelo Correia, que o Sr. RO menciona e muito bem!

      Passos Coelho afirma que é um não assunto! Claro que é, pelo menos para ele, com a arrogância que lhe é característica, como haveria o "pobre" PM desmentir o indesmentível! Comentar o que de tão grotesco que é, não merece comentário algum? Terá ele alguma vez a coragem e a ombridade de carácter em demolir o "pilar" da moradia que construíu? Não, não tem!

      Sérgio Moreira.

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  5. `foi graças ao simplex da esquerda que isto acontece...

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    1. Por acaso o curso em causa foi antes do programa SIMPLEX, no entanto Bolonha também não tem nada a ver com o simplex...

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  6. Quando o senhor escreve "o prestigio que os tais cursos antes conferiam" não me diga que "antes" a fraude, os favores politicos, a corrupção não existiam!Claro que sim. Portugal sempre foi o pais dos padrinhos, simplesmente agora tudo se sabe graças aos meios de informação de que dispomos.O que não era o caso ha algumas décadas atras!
    Assinado: o Zé.

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    1. Esta questão dos favores politicos ve-se ao nivel de uma freguesia, quanto mais no Governo.
      RO

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  7. Isto so em Portugal!!! E quantos mais nao havera??? Com Licenciaturas ao domingo?!! Entao na ha uma Organizacao suprior do Governo para ficalizar e autenticar o grau academico? Mesmo as Universidades particulares estao sujeitas a uma heraquia que regula os cursus superiores, medias e secundarios!...Mas a quem e que nos estamos entregues!!?? .Todas as licencas para particar sao dadas pelo Governo, desde o electicista ao canilazador...do medico do jurista ao professor! Empostorisse, fazer-se passar por...pode custar cadeia!
    A sociedade esta a chegar ao fim..Vamos entao ver quando tivermos que comecar tudo de novo...
    Paulo Cidade

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  8. Nos,os portugueses, aceitamos tudo e mais alguma coisa. Não temos quem nos governe com dignidade!E ficamos calados! As vezes pergunto a mim mesmo para que serve um governo destes.Haveria menos despesas se todos esses senhores doutores e companhia deixassem os lugares que ocupam.E o pais iria sobreviver. Isso ja aconteceu na Bélgica!

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  9. Senhor comentador de 4.O7 - 15:5O Tive dificuldades em ler o seu comentario até ao fim! Mas pode resumir-se numa frase : "uma montanha que pare um rato!"

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  10. Cara comentador, o seu resumo não podia ser mais acertivo, é mesmo isso, mais uma grande "descoberta", do brilhante jornalismo português para entreter o povinho e alimentar o ego aos trotsquistas ...

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