terça-feira, 31 de julho de 2012

FACTOS & FOTOS PARA PARTILHAR

     

            Neste momento, é o habitante mais novo de Lanheses. Chegou bem, há já alguns dias, mas não foram as cegonhas-brancas que criaram entreposto perto do local onde está, que o trouxeram de Paris, como era tradição nos tempos dos seus avós e da tia Olívia do Vale, que era quem primeiro recebia na nossa terra a maioria dos bebés encomendados pelos pais. Veio a tempo de assistir ao XXXIII encontro de ranchos folclóricos que terá lugar no próximo sábado, no Terreiro nobre da Casa do Paço, dos Condes de Almada, onde terá oportunidade de se relacionar com o ambiente no qual os seus jovens progenitores terão dado início ao enleio que os levaria ao altar em Agosto do ano passado.

           Mas, para já, deixem o "rapaz" dormir à vontade, porque senão...
          

             

        

FALECIMENTO.

                                                       (1940 - 2012)

           

             MARCELINO RODRIGUES DA SILVA, de 72 anos de idade, casado, natural desta freguesia, com residência no lugar do Seixô, faleceu ontem à tarde, vitimado por ataque fulminante.

             O funeral irá decorrer na próxima quinta-feira, dia 2 de Agosto, pelas 18 horas, saindo o corpo da Capela do Senhor do Cruzeiro e das Necessidades onde deverá estar exposto a partir do dia de amanhã, à tarde, para a Igreja Paroquial onde será celebrada missa de corpo presente, após a qual irá  sepultar no cemitério da freguesia. 

             À família em luto apresento as minhas sentidas condolências.

           

domingo, 29 de julho de 2012

CAÇADORES DE LANHESES: DOIS COELHOS DE UMA SÓ CAJADADA.

     

      A Associação de Caçadores de Lanheses está a festejar o XII aniversário da sua criação e o X da construção do Campo de Tiro, no lugar do Monte, da freguesia de Lanheses, tendo reunido num almoço realizado no Campo de Tiro mais de uma centena de amigos de Santo Huberto que se fizeram acompanhar dos seus familiares, comemorando as efemérides num ambiente de muita amizade e companheirismo.

                              ALCINDO FRANCO,  Presidente da ACL.

             Alcindo Franco, o actual presidente da prestigiada Associação e grande impulsionador da sua criação e desenvolvimento, não escondia a sua satisfação pela adesão dos caçadores às celebrações destes aniversários, desdobrando-se na atenções aos presentes, providenciando para que tudo esteja a contento. 

Alcindo Franco, tendo à sua direita o presidente da AG e, à esquerda, o presidente do Conselho Fiscal da Associação.

             Com toda a Direcção reunida à sua volta e antes de proceder ao corte do monumental bolo de aniversário, Alcindo Franco proferiu algumas palavras de saudação aos presentes, realçando a evolução operada na condição do caçador, e aludiu, ainda que sem ter dado pormenores, ao projecto que tem para o campo de tiro actual e à sua importância como chamariz de amantes da caça vindos de localidades várias, como espera vir a acontecer brevemente no torneio que ali vai decorrer, e, depois de se ouvir o coro dos parabéns dos presentes (onde fui envolvido involuntariamente por estar, eu também, em dia de anos), todos foram servidos de provar uma abundante mesa com os mais variados doces caseiros e frutas.

           Direcção da ACL.

 Fui colhendo a esmo algumas imagens dos confraternizantes espalhados pelas mesas disposta à sombra refrescante dos pinheiros, carvalhos e eucaliptos ali existentes, num cenário onde a vista descia pelo vale dos limites da freguesia e deparava com S. Pedro, na encosta a nascente, e se prolongava até onde se situa a Silvareira para logo subir num único lance até ao topo da Serra d'Arga onde está o templo da Senhora do Minho.

                     Participantes no convívio:











































sábado, 28 de julho de 2012

O FUTEBOL DA NOSSA TERRA.


DOMINGOS MORAIS, TREINADOR DO UDL

                  
                  ENTREVISTA

Domingos António Costa Morais, 44 anos, natural de Ponte de Lima,

Como jogador:
Limianos, ARcozelo, Correlhã, Torreense, Darquense , Lanheses, Formariz.

Como Treinador:
Formariz, Limianos, Vit. Piães, Moreira do Lima, S. M. Gandra e Lanheses.
…………………………………………………………..

DOMINGOS MORAIS (Domingos António Costa Mortais), tem 44 anos de idade, é natural de Ponte de Lima e vai iniciar a terceira época como treinador da equipa sénior do União Desportiva de Lanheses (UDL). 

Estando a chegar o início da nova temporada, aceitou falar para o doLethes sobre a realidade presente e (também) das perspectivas que se apresentam para o futuro do UDL,  numa
entrevista efectuada no BAR da casa do Povo de Lanheses, muito frequentado pelos sócios e simpatizantes do clube lanhesence.


doLethes (DL) -Este é o terceiro ano como treinador do UDL. O que te motiva?

Domingos Morais (DM). Sem qualquer dúvida, todo o historial do Lanheses. Acho que é uma freguesia que gosta do futebol, vive o futebol com muita intensidade, são de cá alguns elementos que se destacaram no futebol nacional, e, acima de tudo a mística, a forma como a pessoas vivem o clube, que acaba por ser uma motivação acrescida para quem trabalha sabendo que na rectaguarda tem uma  massa adepta exigente mas extraordinariamente apaixonada pelo futebol e pelo clube.

DL. -E, também, a melhoria das condições de trabalho?

DM –Exactamente. Condições que no 1º e 2º ano não existiam e que não foram fáceis de ultrapassar. Na época  anterior tivemos que andar com a “casa às costas” durante cinco meses, mas as pessoas souberam esperar. Para mim foi o melhor ano onde pude contar com uma direcção e uma massa adepta extraordinárias e a compreensão dos jogadores que foram  humildes e nunca desistiram, não baixaram os braços, tendo  conseguido uma segunda volta excelente.

DL.-Correu mal o início da época para o UDL.

DM.- Sim, começou mal. Tivemos uma vitória na primeira jornada mas depois…



DL.-Quando se esperava um arranque fulgurante

DM.-Foi muito difícil porque no campo cedido pelo Deocriste as condições de treino não eram as melhores em termos de piso (terra batida), iluminação e tudo o mais.  Depois andamos também por Nogueira, um campo que estava num estado lastimoso, autêntico batatal, com mato, erva, tudo do pior, mas conseguimos manter o grupo solidário e unido o que foi essencial, porque ninguém  desistiu nem jogadores nem directores. Demos as mãos, a Direcção deu todo o apoio possível, tanto o Henrique Meia-Noite como o presidente Zé Pereira, bem como toda a restante direcção; senti-me apoiado, mantive-me firme, todos entendiam que os maus resultados não seriam da minha inteira responsabilidade, concederam-me um voto de confiança muito grande e, quando partimos para o sintético, foi aquilo que se viu até chegarmos ao quinto lugar a um ponto do quarto e a oito pontos do primeiro. Penso que foi uma recuperação extraordinária.

DL. -Foi uma segunda parte muito boa… 

 DM.-Sim, foi muito boa, mas, para além das vitórias alcançadas, foi a qualidade do nosso jogo; houve muito jovens que se destacaram e, alguns deles, foram procurados.

DL.-Como, por exemplo?

DM.-Temos o caso do Costa que foi para o Nogueirense, da A.F. Porto. Pagam-lhe um salário bom e foi para um clube com aspirações para chegar à 2ª divisão.  É um médio defensivo natural de Viana que nos deu uma boa ajuda a partir de Dezembro; o Jorginho, que acaba de assinar pelo Ponte da Barca, vai jogar na 3ª Divisão, é um prémio também para ele porque nestes dois anos que esteve comigo trabalhou muito e conseguiu uma evolução enormíssima. A qualidade estava lá...
Acho que as pessoas se devem sentir satisfeitas porque dois jovens de Lanheses acabam por ir para os campeonatos nacionais, penso que é uma evolução muito grande e um passo em frente desses dois jogadores.

 DOMINGOS MORAIS, é muito interventivo durante o jogos junto à linha lateral.

DL.-Segues, regularmente, o trabalho da formação? Há talentos a aproveitar? Que oportunidades lhes vais dar?

DM.-Sim., há qualidade na formação do UDL. Disse, aqui há quatro ou cinco meses atrás, que haveria um futuro muito risonho para este clube em termos de formação. O clube,  há anos atrás, era formado quase por 90% de naturais de Lanheses, talvez, 100%. Eu penso que é possível voltarmos a ter não 80/90 por cento mas 70/60 de atletas daqui, porque há, em termos de juvenis e juniores, uma mão cheia de jogadores com qualidade e  condições para que isso aconteça. Só falta um pequeno pormenor: é a parte familiar desses miúdos colaborar no crescimento deles e melhoradas as condições do acompanhamento quando chegam à idade sénior, à idade adulta e pensam em abandonar a actividade. 

DL.-O UDL tem organização para garantir esse acompanhamento? 

DM.-Ainda não tem. Apesar do esforço que tem sido feito, ainda não foi possível arranjar alguém para dispor, por carolice, de algumas horas e isso, actualmente, não é fácil. E temos que arranjar gente bem qualificada, pessoal docente se possível. Seria muito importante a entrada de pessoal docente na formação, porque, para além de formar jogadores é mais importante formar homens e isso seria extraordinário. Eu penso que este ano poderá dar-se um passo decisivo nesse sentido pois as condições à partida são muito boas. Com o campo que temos há que encontrar as pessoas certas para os lugares certos: treinadores, coordenadores, em termos de camadas jovens, e, se o UDL fizer isso, estou convencido que em três, quatro anos, se os miúdos na transição não abandonarem, não seguirem por outras vias que infelizmente às vezes seguem, eu continuo achar que Lanheses voltará a ter um futuro muito bonito, com  gente que economicamente fica muito melhor. Com mais atletas naturais da terra a integrar o plantel principal  haverá cada vez mais público no campo a assistir aos jogos, entram mais sócios, e, desta maneira, se faz o crescimento desta Instituição. É necessário estar preparado para a reestruturação que está em curso nos campeonatos regionais da 3ª divisão.

DL-  Em relação ao plantel deste ano? O Lanheses reforçou-se?

DM.-Pela época que fizemos é natural que as atenções se voltassem para nós. Já estávamos a contar com algumas mexidas. Quando começamos a falar nas renovações aos atletas todos eles estavam decididos a continuar. Mais tarde fomos um pouco surpreendidos, pois, já com o nosso plantel praticamente alinhavado, ficamos sem o Dani, a seguir sem o Costa e há cerca de alguns dias atrás, foi o Jorginho quem saiu. Vamos tentar colmatar essas saídas que, no fundo, é todo o meu flanco esquerdo: Jorginho, Dani e Costa, que fazia uma cobertura defensiva a esse flanco. Portanto, vamos ter que trabalhar, penso que as pessoas estão à procura de soluções e tudo se há-de compor.



DL-Em termos de classificação para a próxima época, qual é a ambição. 

DM.-Eu já o disse publicamente: é manter a posição do 5º lugar ou daí para cima. Seria um feito muito bom. Manter posição entre os cinco primeiros, mas, antes de tudo, garantir a permanência o quanto antes; mas, vamos ter que trabalhar muito, os campeonatos estão cada vez mais complicados, trabalha-se mais cedo e melhor. Há pouco tempo atrás era impensável, na regional, em Julho ou meados de Julho os plantéis estarem formados e, a divisão de honra já tem as 15 equipas que dela fazem parte, todas elas, excepto o Vila Franca, com os plantéis fechados, o que é sinal de que se trabalha já muito mais cedo e melhor. É bom para os clubes, para os jogadores e para o treinador.

DL.-Conheces bem os adversários que vais enfrentar. Quais são os que consideras mais fortes?

DM.-O Cerveira será sempre o candidato mais sério. Vem da 3ª para a regional, vai manter uma estrutura forte com certeza absoluta, tradicionalmente é sempre uma equipa temível. O Correlhã, uma equipa também sempre muito bem organizada e combativa dá sempre muita luta. E o Neves. Eu penso que o Neves, se mantiver a estrutura do ano passado, será um grande adversário. Fez, a par do UDL, uma segunda volta muito boa. Estas são quanto a mim as equipas teoricamente mais fortes do próximo campeonato. 
DL.-O que recomendarias aos sócios e seguidores do UDL para colaborar nos esforços dos treinadores, jogadores e direcção do UDL

DM. Eu queria abrir aqui um pequeno parêntesis para apelar aos adeptos do Lanheses a mesma postura que têm tido até aqui. Que continuem a manter o sentido crítico que é muito bom, pela positiva. Devem continuar a apoiar a equipa nos momentos menos bons, nos momentos difíceis, para empolgarem os jogadores. É preciso que eles sintam o apoio das gentes de Lanheses, pois todos os que assinaram para representar o Clube possuem aquele espírito de luta, de entrega, indispensável para defender esta instituição e dignificarem todos aqueles que passaram por aqui e vestiram estas camisolas. O mais importante, não são os treinadores, são eles. Os jogadores querem fazer história, ajudar o clube e deixar a sua marca, também, nesta terra. 

DL.-Qual é o plantel com que contas neste momento?

DM.-Há ainda umas três ou quatro situações a definir, mas em princípio, estou a contar com:
                Lino e Costa (que vem dos juniores do Ancorense). Renovações: Escolinha, Abílio, Edgar, Bruno Filipe, Pedro Leite, André, Nuninho, Bruno Teixeira e Zé (estes dois últimos em acerto de alguns pormenores).

Sobem dos juniores: Lima (central)  e Filipe (ala esquerdo) e Fábio (ala direito).

Reforços: Tico, ex-Arcozelo, Adolfo, ex-júnior de “Os Limianos”; Araújo, ex-Vila Franca; Fábio Costa, ex-Vila Franca, natural de Lanheses, que regressa a casa; Sampaio, que estava sem clube mas jogou no Melgaço e Neves, o Filipe e o Faisão, ex-Darquenses, e Sandro ex-Bertiandos. Agora, temos que ir à procura de um defesa para o lado esquerdo para colmatar a saída de Jorginho. Mas não nos devemos precipitar. Vamos ter calma porque há aí um acordo com o Vianense para nos ceder um miúdo que joga lá mas, ao que parece, não deverá ficar no plantel.

DL.-Em relação às saídas, conheces bem o Dani, o Jorginho, o Costa. Quais achas que são as possibilidades deles singrarem na carreira de jogador?


 JORGINHO, a revelação em 2011/2012 que vai representar o Ponte da Barca.

DM.-O Jorge só lhe faltava um pouco de mais maturidade. Mas agora está muito melhor, mais responsável, digamos. Eu vejo no Jorginho, neste momento, talvez o melhor defesa esquerdo do distrito de Viana. É arriscado dizer isto, mas é aquilo que penso e eu conheço a regional como poucos e sinceramente, para mim, o Jorge é o melhor defesa esquerdo neste escalão.

 
 DANI, UM JÚNIOR QUE SE IMPÔS NO PLANTEL PRINCIPAL E VAI
REPRESENTAR O S.C. Vianense.

DL.-Dani?

DM.-Há uma coisa interessante em relação a este miúdo. Quando veio dos juniores, era tido por irresponsável tacticamente, mas ele tinha apenas 16 anos, 17 anos quando começou a ser chamado para o plantel principal. E cresceu imenso. Vejo no Dani um apreciável potencial polivalente, faz qualquer posição do lado esquerdo e, para mim, até pode vir a ter futuro nessa posição, porque é muito rápido, marca bem por dentro, é muito forte no lance aéreo e, quer como ala quer a lateral, Dani tem um margem de progressão muito apreciável.

DL.-No S.C.Vianense?

DM.-Acho, sinceramente, que o Dani fez a escolha acertada. Acabando por ficar na 3ª divisão e no Vianense e, se entrar na Universidade em Viana e puder treinar a 100 por cento, eu creio que Dani, se não entrar de imediato a titular vai lá chegar em dois, três meses. Digo isto porque conheço o plantel do Vianense e o seu lado esquerdo não está muito forte e eu julgo que o Dani vai conseguir impor-se rapidamente. Depois de entrar já não deverá sair porque Dani tem um potencial muito grande. Se não conseguir treinar com regularidade então ai terá dificuldade e, conforme falei com o Paulinho (treinador do Vianense) deverá regressar ao UDL. O próprio Meia-Noite também falou com o treinador do Vianense e, se tiver que voltar, será bem recebido como é natural. Terá mais experiência, melhor ritmo de jogo, (no Vianense) porque está com boa gente, vai ter um ritmo mais alto de jogo, mais treinos, é outras competição.
Mas eu estou confiante que o Jorge, que recebemos do Ponte da Barca, vai fazer uma grande época.
 De qualquer modo estou certo que, tanto Jorginho como Dani, vão ser bem sucedidos e chegarão mais alto. Precisam naturalmente de alguma sorte, adaptação ao ambiente, ausência de lesões, porque não lhes faltam qualidades, a um e a outro. Seria muito bom, até, para os jovens que temos aqui verem que em pouco tempo se consegue atingir o nacional, porque as oportunidades surgem há que procurá-las e aproveitá-las quando aparecem.

 DANI, na entrega do Troféu doLethes/Tranquilidade, que venceu em 2011 como melhor jogador em jogos realizados em casa pelo UDL. Na imagem, João Silva, à esquerda, pela Tranquilidade e o autor do blogue/doLethes, à direita.


DL.-O relvado é muito importante, na formação.

 DM.-É muito, em termos técnicos. A bola evolui mais facilmente, os jogadores movimentam-se melhor, o passe e a recepção são feitos de outra maneira, a intensidade e velocidade do jogo aumentam, portanto, veio beneficiar a própria formação. É por isso que seria essencial para as camadas jovens ensiná-los a estar no campo, instruí-los no passe e na recepção, que é a idade onde devem aprender e não nos séniores, onde se joga mais para ganhar. A formação serve para criar para mais tarde colher. O objectivo primeiro, nesta fase, não é vencer a qualquer preço.

DL.-Como é formada a tua equipa técnica?

DM.-Humberto, adjunto, que vem do ano passado, ex-jogador do Correlhã, está ainda no princípio da carreira, tem 27 anos; António Teixeira (Toninho), que é um elemento fundamental nesta estrutura, pelo amor que vota ao clube, uma verdadeira paixão; as pessoas têm muito carinho por ele e os atletas respeitam-no e estimam-no ainda mais; sabe receber bem toda a gente e lidar com todos. Tem uma educação e uma forma de estar simples e extraordinária. Luís Gomes, licenciado em Educação Física, Desporto de Alto Rendimento. Tem mais a seu cargo a programação do próprio treino.

DL.-Em relação à tua carreira, que objectivos?. Tens ambições?

DM.-Vivo um dia de cada vez. Aqui há quatro anos quando me convidaram a vir para o Lanheses talvez tivesse sido influenciado pelas relações que mantinha com algumas pessoas e agora já estou aqui há três anos, o que não é muito vulgar, não é para todos, mas eu consegui. Sinto-me agora ainda mais motivado que na época anterior, vou fazendo também a minha aprendizagem, gosto de falar com as pessoas, claro que gostaria de atingir outro nível, mas tenho os pés bem assentes na terra. É preciso estar nos lugares certos, no momento certo.


DL.-E, quanto à tua própria formação

DM.-Possuo o II nível, tenho ido a palestras com pessoas do futebol, a última das quais com Leonardo Jardim, tivemos conversas muito interessantes, foi muito bom, aprende-se muito com as suas prelecções e impressionou-me muito; estive, também, há meses atrás noutra, em Ponte de Lima, e estou a preparar-me para aceder ao III nível. É bastante mais dispendioso porque é quase sempre mais lá para o sul, mas tenho desejo e intenção de vir a frequentar. Se surgir alguma oportunidade para ser profissional não deixarei de ponderar essa hipótese. Entretanto vou fazer tudo para continuar a evoluir.

DL.-Se surgisse alguém com uma “pipa de massa”, um árabe dono de poços de petróleo,  que jogador lhe pedirias para o UDL.

DM.-Messi, claro (risos…). O Messi, lá para a frente e, o Pepe, cá para trás. Sou modesto...

DL.-E Cristiano? Não interessava?

DM.-Se houvesse petróleo que bastasse...também pedia o Hulk.

DL.-Que clube da Primeira Liga mais gostarias de treinar?

 DM.-Sendo benfiquista, preferia o Porto (!) que era para ganhar. Um treinador no Porto ganha. (ai!, estes “gajos” , se lerem isto, não me vão perdoar; ser do Benfica e afirmar que preferia o Porto…).

DL.-Porque o farias? No Benfica…

 DM.-Acho que seria uma atitude inteligente. No Porto até o Vítor Pereira ganha...(risos).

DL.-Não tem qualidade, o treinador do Porto?

DM.-Claro que tem muita qualidade. Era uma tentativa de fazer piada. Foi um excelente adjunto e conseguiu um grande feito depois de suceder a Vilas  Boas, que ganhou tudo. Este ano terá a grande prova dele. Será o teste real. Agora, eu penso que qualquer treinador que esteja no FCP, corre um enorme risco se não ganhar. Ali, ganhar é uma imperativo incontornável.

DL.-.Gostarias de abordar outro assunto além dos que aqui foram tratados?

DM.-Um, já falei dele internamente mas aproveito para recomendar publicamente a melhor atenção para a coordenação interna do futebol do UDL. Quem tiver esse  papel deve assumir apenas a coordenação. 


DL.-Entendes que faz falta a criação da figura de coordenador? Não existe actualmente?

DM.-Não, e é uma lacuna. Há necessidade de um “manager” que coordenasse os diversos escalões, que criasse um planeamento para a formação e um método de trabalho adequado a cada um deles, que tivesse sequência à medida em que os jovens progredissem até chegarem aos séniores. Qualquer jogador que atingisse o último patamar da formação encontraria sempre o mesmo modelo e princípios que antes adquiriu. Seria fundamental. Falta-me esse elo de ligação na cadeia da estrutura que poderia sair dos quadros da Escola Secundária, onde trabalham profissionais de educação física com experiência capazes de desempenhar esse papel. Difícil é, porém, encontrar alguém com disponibilidade de tempo para assumir tais funções. Rui Costa, António Lopes,  Marinheiro, não tanto em razão das suas qualificações próprias mas de capacidade organizativa e de estruturação. Só para coordenar, sem obrigação de treinar, que promovesse reuniões de grupo, se discutissem as ideias de cada um e se propusessem alternativas para serem tomadas em toda a área do futebol.
O coordenador assistira aos treinos, daria a sua opinião e daria sugestões aos responsáveis directos em cada escalão sobre a movimentação das equipas em campo e o mesmo estilo de jogo a seguir em todas elas.
Sei que o Presidente José Pereira está receptivo e apoia esta estrutura e, tanto quanto me informou, está a diligenciar para encontrar a pessoa certa para o ocupar o cargo de Coordenador.
Há que fazer sentir a todos os que trabalham no clube, dirigentes, treinadores e jogadores, que há regras a cumprir incutindo-lhes princípios básicos de disciplina que são fundamentais para a harmonia e progresso de todo o futebol e para as futuras possíveis carreiras individuais dos atletas que ambicionam vencer neste desporto.

DL.-No que concerne à disciplina tenho notado uma melhoria acentuada no comportamento dos jogadores do UDL. Há alguma medida especial que tenha contribuído para essa mudança?

DM.-Em termos disciplinares, deve ser dito, em dois anos, a minha equipa não viu um único vermelho directo; não tivemos qualquer problema com arbitragens, não se verificaram tumultos em qualquer campo onde jogamos. Saímos sempre bem, em Lanheses todas as equipas foram bem recebidas, ficamos dois anos em primeiro lugar em fair play, e, mesmo não havendo qualquer prémio para isso, é digno de realce esta atitude. Conseguimos conciliar a disciplina com os resultados e, também, com algumas boas exibições. Orgulho-me muito disso. Eu próprio, em nove anos que levo de treinador nunca fui advertido, sempre tenho tido óptimas relações com os árbitros, que erram como nós e como os jogadores mas não o fazem, regra geral, com intuito de prejudicar as equipas.


Tive muito prazer em registar aqui no Dolethes as palavras do Domingos Morais, um homem extremamente simples e de uma cativante simpatia, que vem desempenhando aqui em Lanheses a sua actividade profissional já há alguns anos de forma irrepreensível e que, ao serviço do UDL, na qualidade de treinador, se vem impondo pela sua competência, capacidade de trabalho e dedicação ao clube, com a simpatia e apoio dos adeptos do UDL.