sábado, 30 de junho de 2012

A BENEMÉRITA CASA PALHARES

            

            A BENEMÉRITA CASA PALHARES, de LANHESES


             O portal de acesso à Casa Palhares onde está afixada a placa com a indicação do nome da Obra Social Riba Lima, entidade que passou a deter a propriedade.




             Por escritura exarada a 16 de Maio de 2012, o Centro Social Riba Lima recebeu em doação uma importante parcela do património da CASA PALHARES consubstanciado pela cedência de um prédio urbano e parte do terreno envolvente situado no Lugar da Granja, desta freguesia, cujo valor estimado poderá ser de algumas centenas de milhar de euros.

              O actual herdeiro do referido prédio acordou na cedência a favor daquela Instituição de solidariedade social que se encontra em adiantado estado de construção nas imediações da Igreja Paroquial de Lanheses e deverá entrar parcialmente em actividade até ao fim do ano corrente, após terem sido ultrapassadas algumas divergências surgidas entre os herdeiros na partilha dos bens agora doados.

            António Ribeiro Gonçalves da Costa, na situação de divorciado e principal interveniente envolvido na doação agora legalmente formalizada, que continua a morar no bem doado, adquiriu o direito de ficar a cargo do Centro Social Riba Lima até ao fim dos seus dias com opção de permanecer no actual domicílio se for essa a sua vontade.

 EM CIMA:
 A linda fachada sul do edifício principal. As vigas de cimento que servem de suporte à parede do lado poente serão retiradas, por desnecessárias.


EM BAIXO:
Pormenor da escada granítica exterior de acesso ao primeiro andar.


            Os edifícios e espaço agora cedidos deverão funcionar, logo que reúnam condições próprias de habitabilidade, como dependência complementar do Centro Social para as necessidades vocacionadas para apoio aos idosos, se necessários, não estando excluída a possibilidade de ali virem a ser criadas valências que gerem fundos que aproveitem ao funcionamento da Obra Social sediada no lugar da Igreja.


            As obras de requalificação e restauro principiaram já  há algumas semanas atrás tendo sido colocados novos telhadas no edifício principal e anexos existentes, os quais manterão as respectivas estruturas e, sempre que possível, os mesmos materiais de que são construídos; foram já limpos os logradouros e as árvores centenárias daqueles espaços, e, seguidamente, irão ser requalificados os muros exteriores da propriedade que possui uma área coberta de 509,3m2 situada num terreno com mais de 6155m2 (parcelas A e B), dos quais 2877m2 (parcela B) estão ainda a ser objecto de partilha contenciosa entre dois dos herdeiros. A cedência compreende todo o recheio doméstico cujo valor ainda não está quantificado nem inventariado, sendo constituído por mobiliário diverso antigo, arcas de armazenamento de cereais, artefactos de lavoura e aparelhos e máquinas de uso doméstico com condições para serem restaurados.

                       O lado norte da casa principal, vendo-se ao fundo um dos cobertos que vai ser intervencionado.
 EM CIMA:
Arrecadação dos animais da quinta.
EM BAIXO:
Coberto multiusos e alpendre já cobertos com nova telha.



             Todo a intervenção até agora levada a efeito no local tem vindo a decorrer sob a orientação e acompanhamento da família Palhares, principalmente de Manuel Ribeiro e de sua esposa e o próprio doador, intervindo eles directamente na execução dos trabalhos em curso sem auferir quaisquer benefícios remuneratórios ou de outra natureza.

EM BAIXO:

Vista nascente.



EM BAIXO:
Coberto principal, lado sul.

Pequena habitação à entrada do portal, lado direito.

           O entendimento com a Direcção da Obra Social Riba Lima e a família de António Ribeiro Gonçalves Costa, decorre há cerca de dois anos a esta parte, tendo as conversações sido conduzidas pelo irmão do doador, Manuel Ribeiro Gonçalves e de sua esposa, os quais estavam determinados a cumprir a vontade manifestada em vida pela mãe do António, e o seu próprio desejo, que visa assegurar-lhe uma protecção segura e condigna na velhice.

            À Junta de Freguesia foi cedida uma parcela de terreno frontal à entrada e fora da propriedade ficando esta com o encargo da urbanização do local que poderá incluir um espaço para estacionamento.




 EM BAIXO:
 Foto panorâmica da localização da moradia, a partir do início da Rua da Fonte da Granja. À direita, o espaço cedido à Junta de Freguesia a quem passa a caber a urbanização. Deve servir para parque de estacionamento (quatro lugares).



            Esta doação reveste-se de uma importância relevante para a expansão das ofertas próprias destes meios de solidariedade social e dá uma dimensão acrescentada à Obra Social Riba Lima, a qual assegurou já há algum tempo a utilização da ex-escola primária de Vila Mou, depois de ter assinado um protocolo de utilização com a Junta daquela freguesia limítrofe.

            A formação da Casa Palhares remonta ao século XIX (1888) e começa com o casamento de Manuel Parente Ribeiro com Rosa Martins Palhares, que era irmã do padre António Martins Palhares e de Antónia Martins Palhares, sendo António Ribeiro Gonçalves da Costa o seu último herdeiro detentor. Esta prestigiada família de Lanheses teve a seu cargo em tempos idos e durante vários anos, o fornecimento gratuito de hóstias para consumo da Igreja local.

NO INTERIOR:
 Sala grande no rés-do-chão.




Acesso ao andar superior e escada com balaustrada, em madeira.

A SEGUIR: 
Cómoda e arquibanco em bom estado de conservação.



 EM BAIXO:
Pormenor da escada interior de acesso construída em madeira.


EM BAIXO: 
uma frondosa cerejeira, talvez centenária.

 A SEGUIR:
Uma das oliveiras recuperadas à entrada do logradouro aparentando estar ali nascida há muitas décadas.


EM CIMA:
Placa toponímica à entrada da Rua:


EM BAIXO:
Imagem a partir do stop da estrada 305 (Meixedo) que passa pela Devesa e segue até ao Seixô.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

PORTUGAL NAS MEIAS FINAIS.


 VEM A PROPÓSITO, TANTO PARA O FUTEBOL COMO PARA O ...PAÍS.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cegonhas

    O MIGUEL OLIVEIRA, obteve nova série de fotografias referentes às cegonhas-brancas de Lanheses, principalmente do casal de filhotes que estão prestes a "fazer-se à vida" a avaliar pelo tamanho que já possuem. No último sábado, tive oportunidade  de observar uma ave desta espécie a colocar um ramo no poste da alta tensão que se encontra na Rua da Estrada da Igreja, perto da Escola Básica. Não me parece que a ave pretenda construir ninho ali, dada a época adiantada da procriação normal, pelo que poderá ser apenas um mero ensaio para futura escolha.



domingo, 24 de junho de 2012

"MEUS CANTARINHOS DE BARRO, QUE FINA LOIÇA QUE SOIS!"


 

            Mulheres e homens que negam anos à velhice do corpo e da mente, desfilaram ontem à noite no Largo do Sobral, em Lanheses,  de arco e balão e vestindo trajes coloridos e enfeitados com graça e muita originalidade e entoando uma marcha tradicional da freguesia alusiva às cantarinhas de barro saídas das olarias então existentes nesta localidade, perante o entusiasmo de um "mar de gente" que ali acorreu para os aplaudir com muito entusiasmo e simpatia.

                "Meus cantarinhos de barro,
                 Que fina loiça que sois!"


                Segurando a frágil peça de barro acima da anca e agitando no ar o braço em sincronia com o movimento do corpo, as marchantes seguiam a par cantando a letra adaptada à música das "Varinas", tendo à frente os padrinhos da marcha e um primeiro arco dos três que ali seguiam e onde se viam os únicos elementos masculinos do grupo.

                "Cantarinhas de ir à fonte,
                 Co namoro a dois e dois..."

                 No Largo Capitão Gaspar de Castro os marchantes fizeram uma pré-apresentação seguindo dali para a capela de São João onde se juntaram às três turmas de alunos do Agrupamento de Escolas Arga e Lima que participavam conjuntamente no desfile e que nos últimos anos se vem associando a estas festividades sanjoaninas.

                "Junto de vós, ao meu bem
                 Prometi meu coração"

(Versos da Revista Histórico- Etnográfica do prof. Gabriel Gonçalves)
        
                 Estas mulheres e homens que rejeitam o conformismo e a compassividade perante a inexorabilidade do tempo merecem uma palavra de muita simpatia e respeito pelo trabalho e canseiras por que passaram para proporcionar aos seus conterrâneos alguns momentos de alegria e diversão. Foram dias de muitos ensaios, longas conversas sobre os pormenores do traje a usar, trabalho de pesquisa e escolha do tema da marcha, um ror de canseiras a juntar às da suas imensas tarefas com que ainda se ocupam.





                "Loiça de barro,
                 Feita em Lanheses,
                 Não tem rival,
                 Só tem fregueses.

                                  São lindas bilhas,
                                  E pucarinhos,
                                  Vasos pra flores
                                  E cantarinhos.

                  Do barro, o loiceiro faz
                  Um cântaro, um coração
                  Gira a roda, gira...gira
                  Alisa o barro coa mão.

                                  E quem merca tanta loiça,
                                  Cá na feira desta aldeia?
                                  São moças, pra ir à fonte,
                                  Em noites de Lua-Cheia."

                 Loiça de barro, 
                 Feita em Lanheses,
                 ..............