sábado, 31 de outubro de 2009

SARAMAGO E OS PRIVILÉGIOS DA IDADE

           Precavido quanto à bondade de grande parte da publicidade que, em catadupa, nos pretendem vender pelos olhos e pelos ouvidos, em doses cientificamente estudadas e cada vez mais agressivas, tudo quanto é ilusão e engano, hesitei em enfileirar no rol dos que, costumadamente, correm para as livrarias mal surjam as primeiras notícias do lançamento de um novo livro. Foi o caso, porém, que, desta vez, o escritor era José Saramago, o Prémio Nobel da literatura de l998, o único português distinguido, até agora, naquela categoria e um dos autores mais lidos e traduzidos da actualidade. Para além disso, mesmo que conhecida seja a posição do insigne escritor relativamente à Igreja Católica e o seu pensamento ateu e a forma como aborda aqueles temas em obras anteriores as declarações, por ele produzidas, na conferência de imprensa em Penafiel no lançamento da sua última obra, acabaram por amolecer a minha resistência e adquiri o já celebérrimo "Caim".
           Da leitura do livro a ideia, que primeiro me ocorre, é a de que o autor adopta o princípio da interpretação literalista de algumas descrições bíblicas e, tomando como paradigma a narração metafórica de morte de Abel (o Bem) por Caim (o Mal), parte para a exploração de uma dialéctica de confrontação com Deus, culpabilizando-O pelos actos praticados por Adão e Eva e dos seus descendentes, ao longo dos tempos. A prodigiosa imaginação de Saramago faz de Caim uma testemunha que viaja através das histórias bíblicas para, por seu intermédio, questionar e obter do Senhor as respostas para as suas próprias dúvidas e inquietações.
           A crueza das palavras que Saramago entendeu utilizar no seu romance não acrescentam nada de edificante ao seu estatuto de Nobel da literatura, de dotado e considerado escritor mundialmente reconhecido, só podendo ser entendidas como excesso de liberdade de autor, como ele próprio, aliás, já reconheceu. Mesmo o facto de lhe poder ser concedida a benevolência que a sua provecta idade lhe confere,comparável ao tratamento atribuído às crianças de tenra idade e aos idosos, José Saramago não pode comportar-se como alguém que alivia a sua flatulência no meio de uma plateia de crentes sem se preocupar com o incómodo que o odor possa provocar aos narizes dos que o sentirem.
           Ler Saramago é sempre um acto motivador e enriquecedor se bem que, a forma peculiar da sua forma de escrever possa, inicialmente, causar algum embaraço. Dava tudo para saber qual o veredicto do antigo inspector do ensino primário, João Duarte, conhecido pela alcunha de "bota-abaixo", se lhe aparecesse pela frente um aluno a exame da quarta classe com uma redacção elaborada ao estilo criado pelo insigne escritor.
           Ao acabar a leitura do Caim voltei à página onde Saramago deixa dedicatória à sua actual companheira e esposa e aí permaneci, durante alguns momentos:
                                        A PILAR, COMO SE DISSESSE ÁGUA,
constatando que, se bem interpreto o sentimento do autor, o seu coração ainda não terá perdido a batalha que, porventura, a mente persistentemente lhe vem impondo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CONSTITUIÇÃO E POSSE DOS ÓRGÃOS AUTÁRQUICOS

            A posse dos elementos que constituem os órgãos autárquicos saídos da eleição de 11 de Outubro decorreu, na sede da Junta de Freguesia, no dia 24.10, pelas 19 horas.
            Assim, a composição da ASSEMBLEIA DE FREGUESIA, ficou constituída da forma seguinte:
             - Ezequiel da Silva Gomes do Vale (PSD-CDS)
             - José Manuel Rodrigues da Rocha (Ind.)
             - Filipe Manuel da Castro Rocha (PSD-CDS)
             - Fernanda da Conceição Alves da Rocha Carvalho (PSD-CDS)
             - António Serafim Dias Grenho (PSD-CDS)
             - Maria Olívia do Vale Rios da Rocha (Ind.)
             - Hélio Lourenço Pereira Franco (PSD-CDS)
             - Marília Sousa Nunes Franco (PSD-CDS)
             - Francisco Ferreira (em substituição de Álvaro Alves da Silva, que apresentou pedido de renúncia -              (Ind.)
                Para substituir os autarcas eleitos para o órgão executivo, foram votados os seguintes elementos:
             - Paulo Jorge Araújo
             - Artur Gomes
             - Vera Marinho.
                                                   COMPOSIÇÃO DO EXECUTIVO
              Após a votação por listas uninominais, com o resultado de 6-3, o executivo ficou formado como segue:
              - Ezequiel Vale, presidente;
              - Filipe Manuel de Castro Rocha, secretário;
              - Hélio Pereira Franco, tesoureiro.
                                                   ASSEMBLEIA DE FREGUESIA
              - António Grenho, presidente.
              - Marília Nunes, secretária.
              - Vera Marinho, vogal. 

              Numa brevíssima intervenção, Ezequiel Vale, que renova o mandato, declarou a sua determinação em trabalhar por "um Lanheses mais desenvolvido e com maior qualidade de vida"
              - A cerimónia, muito concorrida, haveria de terminar com um "verde de honra" no alpendre do edifício que foi a antiga escola primária, a que se seguiu, nas instalações próximas da antiga Jamor, um convívio aberto à comunidade lanhesense.


O presidente reeleito, Ezequiel Vale, no uso da palavra.


                                                                                                     
Em cima: Ezequiel Vale, à direita, presidente da Junta. À esquerda,



Preparando a posse António Serafim Dias Grenho, o presidente da Assembleia de Freguesia.

domingo, 25 de outubro de 2009

UD LANHESES: "6 X 6"

CAMPEONATO DA 1ª DIVISÃO DA AFVCASTELO

 LANHESES - 5 - GRECUDEGA - 0
(ao intervalo : 4-0)

 
O penalty que não entrou.
        E vão seis! A vítima, hoje, foi o Grecudega, uma empresa sediada em S. Martinho da Gandra(Ponte de Lima), treinada pelo antigo jogador do UDL Domingos Morais (Minguinhos).
        Jogando em casa e tendo pela frente uma equipa macia e a tentar o jogo pelo jogo, os imparáveis lanhesenses construíram, paulatinamente, um resultado robusto que poderia ter sido ainda mais folgado não fora o desperdício de algumas excelentes oportunidades, incluindo uma grande penalidade defendida pelo guardião forasteiro. Mesmo jogando com dez, por expulsão mal assinalada do jovem defesa esquerdo local, o qual, à entrada da área, se limitou a desarmar uma avançado que pretendia isolar-se e simulou a falta, os donos da casa chegaram ao 1-0, logo aos três minutos, aumentando para 2-0 aos 15, para 3-0 aos 30, arredondando para os 4-0 aos 44. 8 minutos antes, dera-se a expulsão.
         Depois do descanso, aos 47 m., surgiu o 5-0, do qual damos imagem, falhando o Lanheses a meia dúzia, quando, aos 70 m. o pontapé de grande penalidade foi bem defendido pelo guarda-redes visitante.
         Ao contrário do que já vimos esta época, o árbitro, de estatura impressionante, parecendo mais talhado para o rugby do que para as funções de juiz, havia de fazer uma arbitragem que, em nossa opinião, foi inversamente proporcional ao seu tamanho.
O quinto golo. A bola já lá mora.
         Invicto à frente da classificação, o UDL, desloca-se, no próximo domingo a Bertiandos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A BÍBLIA DO DESPORTO - UM MANUAL DE MAUS COSTUMES

           Estou em crer que Saramago nunca leu a proclamada "bíblia do desporto".É pena. Se o tivesse feito e quisesse pronunciar-se com a mesma convicção e certeza que manifesta na interpretação dos textos da Bíblia cristã, ter-me-ia convencido facilmente de que os escribas da actualidade não são mais credíveis do que os seus antepassados. E, da mesma forma, concluiria sem esforço que os seguidores e crentes da primeira, desfrutando de condições de acesso à cultura que o tempo moderno proporciona, são ainda campo fértil à proliferação de falsos profetas.

           O texto que a seguir se transcreve foi publicado no jornal A Bola, em 20.10.2009, sendo da autoria do escritor e jornalista     

MIGUEL SOUSA TAVARES - PESADELO AZUL

Leio sempre com atenção o que Fernando Guerra aqui escreve - e ele escreve bem e pensa bem. Mas, terça-feira passada, creio que ele derrapou e cometeu o erro clássico que, a meu ver, sempre cometem os que, de fora, escrevem sobre Pinto da Costa: ficarem-se pelas aparências, pelos sinais exteriores de qualquer coisa mais funda e que não querem ou não alcançam entender. Eu, que julgo ser insuspeito de alinhar junto dos «que o seguem até de olhos fechados», como escreveu Fernando Guerra, fico sempre admirado por constatar que, após mais de vinte anos de liderança destacada no futebol português, o «fenómeno Pinto da Costa» (porque se trata mesmo de um fenómeno), continue a não ser decifrado por analistas, adversários e rivais.


Confesso que não segui com atenção as tais declarações que o presidente do FC Porto terá feito algures e que levaram Fernando Guerra a classificá-las como «resquício da pequenez que sempre caracterizou a sua política de conflitualidade, avessa à serenidade, à sensatez e à clareza» e decerto motivadas por um «pesadelo vermelho» que esta época estará a perseguir o líder azul. Que eu tenha visto, apenas registei umas declarações, no tom de ironia de que tanto gosta, agradecendo ao Benfica a contratação de Falcao. Se é a isso a que se referia Fernando Guerra, não me parece que justifique tamanho alarido. Basta recordar que o presidente do Benfica, esse sim, gastou os últimos três anos a visitar casas do Benfica pelo país inteiro e em todas elas tinha sempre um discurso de escárnio e ódio contra o FC Porto - com o qual visava desviar as atenções dos sucessivos falhanços desportivos da sua gestão (é, aliás, sintomático que esta época, em que o Benfica desatou enfim a vencer e a jogar futebol, Luis Filipe Vieira se tenha remetido a um silêncio inabitual).


Fernando Guerra diz que «Pinto da Costa não autorizou que o FC Porto crescesse quanto podia, transformando-o de um grande clube de implantação regional num outro de dimensão verdadeiramente nacional». Extraordinária afirmação esta! Que todos os factos, todos os números e toda a realidade desmentem, ano após ano! É verdade que Pinto da Costa sempre viveu amarrado a um discurso de cariz regional e regionalista, que lhe serviu no início para aglutinar todas as gentes portistas e fazer do FC Porto o grande clube do norte do país, símbolo perfeito do desafio do resto do país à hegemonia de Lisboa - no futebol, como no resto. Mas, ou porque tenha mudado de visão quando percebeu a dimensão imensa que o clube foi adquirindo, ou porque a criatura escapou ao criador, o facto é que isso hoje está longe de ser verdade e chamar ao FC Porto um clube regional sem dimensão nacional não cabe na cabeça de ninguém. O FC Porto é, neste momento, tetracampeão de futebol, depois de ter sido pentacampeão há pouco tempo. Conquista regularmente títulos nacionais em todas as modalidades profissionais (um ano houve em que chegou a acumular o título nacional nas cinco modalidades profissionais); foi, nos últimos três anos, o clube com mais assistências no estádio e tem hoje adeptos e seguidores de norte a sul, ilhas e emigração. Se isto não é um clube de dimensão nacional, o que será tal coisa?

Mas, nos últimos vinte anos, o FC Porto fez mais, bem mais do que isso: transformou-se no único clube português de dimensão internacional, duas vezes campeão europeu e campeão do mundo, segundo clube com mais presenças na Champions, fundador do G-14, onde sediavam os maiores da Europa, conhecido no mundo inteiro e com os seus principais jogadores cobiçados todos os anos pelos potentados europeus. Atendendo à dimensão crítica do nosso futebol, o que o FC Porto conseguiu é um verdadeiro «case study»: não conheço nenhuma empresa portuguesa que tenha adquirido uma dimensão além-fronteiras comparável à do FC Porto. Que outra empresa portuguesa já foi considerada a melhor da Europa ou a melhor do mundo no seu ramo de negócio? Que outra levou o nome de Portugal aos confins do planeta, como o FC Porto o fez e faz?

Não ver isto, insistir em que tudo foi conseguido pela «pequenez» ou «conflitualidade» (ou por batota, como diz o disco rachado dos rivais vencidos) ou é cegueira em adiantado estado ou é má-fé. Não querer perceber que um êxito continuado só acontece a quem é melhor no planeamento, na organização, no profissionalismo e na motivação, a quem tem como filosofia de vida um grau de exigência e de competitividade acima dos demais, é uma caracteristica bem portuguesa. O sucesso que se destaca é sempre muito mal visto pelo comum dos portugueses e a reacção habitual não é a de tentar perceber as razões do sucesso e imitá-las, mas sim tentar destruí-lo, insinuando razões obscuras para o triunfo. Desde Alfarrobeira que essa é a nossa história. E a razão do nosso atraso sem remédio.

Muito na linha dos adversários portistas, Fernando Guerra acha que tudo foi obra de um homem só e profetiza tranquilamente que tudo se há-de desmoronar, no dia em que Pinto da Costa passar à reforma. Pois, quem viver, verá. Mas se espera, como escreveu, que o resultado das últimas autárquicas (ou das anteriores) na cidade do Porto já é um prenúncio seguro do fim iminente de Pinto da Costa e da hegemonia nacional dos portistas no futebol, o melhor é esperar sentado, porque de novo não percebeu. Não deixa, aliás, de ser eloquente que, enquanto que os cidadãos do Porto distinguem bem o voto muncipal do voto clubistico, sejam os analistas a proceder entusiasticamente a essa confusão. Segundo eles, se Rui Rio, inimigo confesso do FC Porto, ganha as eleições no Porto, é porque o clube está a perder adeptos na sua própria cidade. Do mesmo modo que quando os sportinguistas Jorge Sampaio e Pedro Santana Lopes ganharam a Câmara de Lisboa, isso só podia significar que o Benfica estava a perder adeptos na capital…É certo que eles não hostilizaram o Benfica, como Rui Rio, numa atitude de arrogância gratuita e ridícula, resolveu fazer com o FC Porto. E se também é certo que Rui Rio tem vencido as eleições apesar da sua hostilidade declarada ao maior clube e maior símbolo da cidade, também o F.C.Porto tem vivido muito bem com essa hostilidade: tem ganho títulos nacionais e internacionais e a única consequência é que agora não os festeja frente aos Paços do Concelho, conforme era tradição.

Enfim, para acabar e em abono da verdade histórica, é preciso dizer que não é verdade que o clube (isto é, Pinto da Costa), ao vencer a Liga dos Campeões, «em lugar de festejar com a exuberância justificada… tenha optado por destapar desavenças internas com o objectivo de desvalorizar o trabalho do treinador, José Mourinho, o qual, no regresso da Alemanha, abandonou o aeroporto pela porta do lado, por forma a evitar encontros indesejáveis com a facção mais descontrolada da obediente claque». Não é verdade, simplesmente. Eu estava lá e vi - no estádio, no avião, no aeroporto. Não havia ninguém, do presidente ao mais simples adepto, que quisesse desvalorizar o trabalho de Mourinho e que não quisesse a sua continuação: foi ele que, legitimamente aliás, quis voar outros voos. E foi ele quem optou por não festejar exuberantemente o título europeu - nem no estádio, nem no avião, nem depois, no Dragão. Conforme é mais do que sabido, Mourinho teve um problema de natureza pessoal com parte da claque portista e foi por isso que escolheu sair por uma porta lateral e desaparecer dos festejos. Não discuto se tinha ou não razão para proceder assim: limito-te a corrigir a versão de Fernando Guerra porque ela não é verdadeira e não serve de exemplo à sua tese.

in abola

domingo, 18 de outubro de 2009

E VÃO CINCO!


       Cinco jogos, outras tantas vitórias!
     O UDL arrancou, hoje, no campo do Vila Franca, a 5ª vitória consecutiva, ao derrotar (1-3) o que era o leader do Campeonato Distrital da 1ª Divisão da A.F.V.C. Com este resultado, o Lanheses ascendeu ao 1º lugar da competição, com 15 pontos, a par do Castanheira que, todavia, já realizou mais um jogo.
     Com 1-0 ao intervalo os novos comandantes da competição chegaram ao 3-0, vindo a sofrer, no derradeiro minuto, o golo único dos visitados.
     Boas perspectivas, neste início de campeonato, dos comandados de Henrique Meia-Noite, chegando-se à frente na luta pelo título para celebrar (quem sabe?) num novo palco...

BOTA-FORA EM LISBOA. PORTUGAL PODE ESPERAR.

     A imprensa lisboeta, escrita ou falada, tal como alguns comentadores avençados ou ocasionais da corte alfacinha, não têm poupado nas críticas em desabono do desempenho da seleccção nacional de futebol nesta fase de apuramento para o campeonato do mundo a realizar na África do Sul, no próximo ano, pondo em causa a competência do seleccionador Carlos Queirós para o lugar que ocupa, contribuindo para a onda de pessimismo que envolveu a selecção durante a campanha do apuramento e agora silenciada pela evidência dos resultados.
     Tendo, ainda,  de realizar dois jogos de bota-fora com adversário a conhecer na próxima segunda-feira, o que vai decorrer "em casa" terá lugar em Lisboa, no Estádio da Luz.
     Para fundamentar aquela opção foi invocada a maior capacidade do recinto  alfacinha e, pasme-se, ser o mesmo um talismã para a equipa das quinas! Então, e Nossa Senhora de Caravágio? Já não o é? ah, como não me lembrava? Demandou outras paragens...
     Pela lei dos números Portugal, a partir de agora, só verá jogos se for previsível uma assistência acima dos sessenta e cinco mil espectadores. Braga, Guimarães, Aveiro e Coimbra e Leiria não vão além de trinta mil. O Dragão, com os seus cinquenta mil e uns pozitos ainda poderá ser contemplado com uma meia-final ou, se obtiver o estatuto de talismã, a uma final de sub-19 ou equivalente.
     É com argumentos daquele jaez que são justificados investimentos como aeroportos faraónicos, TGVs, pontes sobre o Tejo, ampliações da rede do metro, hospitais, requalificações urbanísticas, transportes rodoviários, Parques das Nações, etc. Lisboa, é Lisboa. Portugal, é uma outra realidade.

sábado, 17 de outubro de 2009

MARADONA, O ÍDOLO QUE DECEPCIONA

     MARADONA, foi, nos anos oitenta, um magistral jogador de futebol. Aos estádios de Espanha e Itália, onde actuou no auge da sua carreira, levou ao delírio multidões de admiradores e, no seu país, a Argentina, é herói nacional. Ficaram para sempre na memória dos seus compatriotas e dos apreciadores de bom futebol de todo o mundo os feitos de "El Pibe" no Campeonato do Mundo de 86, nomeadamente nos encontros disputados com a Inglaterra e com a Alemanha, derrotados os primeiros (2-1) com um golo onde a sua mão direita (a "mão de Deus", na sua célebre expressão) chegou onde a cabeça nunca lá chegaria e, na final (3-2) desenhou a jogada quiçá mais sublime que até hoje terá sido vista num jogo de futebol, ao passar quase por meia equipa alemã e rubricar na frente do guarda-redes hipnotizado o golo que, só por si, justificaria o título para as suas cores.
     Para seu mal e desencanto dos idólatras, Maradona, jogava, simultaneamente, outro jogo em tudo contrário ao que o elevou ao pódio do desporto-rei. Deixou-se "apanhar" pela teia cruel que constitui o mundo escuro dos estupefacientes, iniciou uma viagem descendente do glorificado pedestral a que se alcandorara para experimentar o purgatório sub-humano dos alucinogéneos mais pesados.
     Mesmo assim,  beneficiando do seu elevado estatuto de figura nacional, logrou encontrar o caminho do regresso. Cativou, outra vez, a confiança dos argentinos a ponto de estes lhe confiarem a selecção como seleccionador e treinador da equipa celeste. Nesta qualidade, o que para muitos é considerado o maior futebolista de sempre, não terá revelado as qualidades que muitos lhe atribuiram e a sua actuação no comando da selecção foi, até agora, tudo menos pacífica. Opções discutíveis na escolha de atletas, fraca qualidade do futebol praticado com consequências a nível de resultados e apuramento para a África do Sul, quiçá, ainda com o patrocínio da tal mão que, como ao menino e aos ébrios, Deus sempre oferece.
     Mas foi ao nível do comportamento que Maradona mais decepcionou. As suas declarações no final do encontro com o Uruguai (0-1), resultado que lhe terá poupado, naquele momento a sua demissão inglória do cargo, são uma demonstração inequívoca da sua precária formação para liderar e desempenhar cargos de representação de uma nação, mesmo que esta seja de âmbito desportivo, pela repercussão mundial que sempre a imprensa lhes atribui e não perdoa. Declarações que não podem ser justificadas pelo carácter extrovertido do seu autor nem pela emoção acabada de viver e que, mesmo após o tempo de reflexão na cabine, foram confirmadas "ipsis verbis", na conferência de imprensa.
     O presidente da FIFA, Blater, já fez saber que o seleccionador argentino será alvo de processo disciplinar. Inevitável e imprescindível. Para ter consequências ajustadas? A ver vamos.
     Entretanto, que ilações tirar do silêncio dos dirigentes de Buenos Aires? Pactuarão, mais uma vez, com a actuação desbragada do responsável da sua selecção, segurando-o mais algum tempo? Vão permitir que ele vá à África do Sul em nome de um prestígio que põem acima da do próprio país?
     Ou...
     Alto lá, não, não estámos em Portugal!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

RAI'S PARTAM OS POLÍTICOS

     SEGUNDA-FEIRA, 12.10.2009, 17 horas.

     Abro a caixa do correio e recolho um prospecto da lista Cidadãos Independentes, que diz:

     "PROMETEMOS UMA CAMPANHA NORTEADA PELA TRANSPARÊNCIA, VERDADE, RESPEITO E PAUTADA  PELA EDUCAÇÃO E CIVISMO".
     "CUMPRIMOS".
     "O SEU VOTO É IMPORTANTE. CONTAMOS CONSIGO"

     No sábado, dia 10, de manhã a caixa estava vazia. Nesse dia tomei conhecimento através de relatos de testemunhas idóneas de que, em vários pontos da freguesia, elementos conotados com aquela lista abordavam, à porta dos  respectivos domicílios, putativos votantes nas eleições do dia seguinte, em cochichos de notória intimidade.
     Ora, para quem afirma o que acima se transcreve e faz outra coisa, ou não apreendeu o sentido  da célebre e usada frase de que "à mulher de César...".ou, como bem dizia a bela canção italiana, são apenas:  parole, parole, parole...

EZEQUIEL, vale!


     EZEQUIEL VALE, vence e renova mandato por mais quatro anos na Junta de Freguesia.

     José Maria Costa, novo presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

     Resultados:
     PARA A JUNTA DE FREGUESIA
              PPD/PSD-PP   -  59,14 %  - Votos  - 757 -  Mandatos - 6
              Independentes   -  37,89%  -   "   - 485 -       "          - 3

     PARA A CÂMARA MUNICIPAL:
              PS                      - 46,41%   -  Votos  - 594
              PPD/PSD-PP       - 43,75%   -      "      - 560
              BE                     -   3,36%   -       "      - 43
              PCP-PEV            -   1,72%   -      "      - 22

     ASSEMBLEIA  MUNICIPAL:
              PPD/PSD - PP                        - 600
              PS                                         - 561
              BE                                         - 43
              PCP-PEV                               - 24

                OS VENCEDORES:     

                        - EZEQUIEL VALE
                        - HÉLIO FRANCO
                        - José Maria Costa

                OS DERROTADOS:
                        - ZÉ MANEL
                        - MIGUEL RODRIGUES
                        - the BLACK SPIDER MAN

               O COMENTÁRIO:
     Mal aconselhado, Zé Manel, falhou a tentativa de ocupar a cadeira que foi sua durante 16 anos, entretanto ocupada pelo agora novamente vencedor, Ezequiel Vale. Por esclarecer ficam as verdadeiras razões desta investida de Zé Manel à presidência da Junta, que tem tanto de surpreendente com de dispensável.
     Apoiado numa equipa com fragilidades notórias e numa campanha inspirada nos princípios da estratégia do cuco, que tudo leva a crer é da responsabilidade duma espécie de ave migratória que sazonalmente, em época de eleições aqui arriba  almejando influenciar a decisão dos votantes e fomentar a confusão, o ex-PSD, convertido em cabeça de lista do órfão PS com rótulo de Independente, terá que conformar-se com novo retiro (exílio) sabático e, pacientemente, esperar nova oportunidade.
  

domingo, 11 de outubro de 2009

A SELECÇÃO GANHA, COMO EU QUERO.

PORTUGAL, 3 - HUNGRIA,0
Obtendo uma vitória (finalmente!) sobre a Hungria, a selecção "lusa-brasileira" portuguesa aproveitou a simpática ajuda da Finlândia, que tinha feito o papel de "besta negra" da nossa equipa nesta competição e logrou derrotar a excelente formação sueca (1-0), do fenómeno Ibrahinovicht, excluindo-o do palco único do mundial da África do Sul, permitindo aos comandados de Queirós aceder ao segundo lugar do grupo e o direito a discutir num "play off", a disputar entre os melhores segundos dos outro grupos, a participação no campeonato do Mundo. Antes, porém, terá que defontar e vencer, em Guimarães na próxima quarta-feira, a equipa de Malta, a qual poderá não ser assim tão frágil se o jogo não for encarado com profissionalismo e máxima concentração dos craques lusos.
O seleccionar parece, pois, ter escapado ao cutelo que, desde que assumiu o cargo, lhe vinham encostando ao pescoço, configurado nos artigos de opinião de grande fatia dos media e de muitos adeptos seguidores e consumidores de métodos ao estilo de vendedores da "banha de cobra", do tipo dos que sabem que "em terra de cegos quem tem um olho é rei", e que, depois de devorarem o osso até ao tutano abalam para outras paragens à cata de novos simplórios.
Pessoalmmente, torço pelo êxito de Queirós, porque perfilho o principio de que ninguém deve ser julgado e condenado sem lhe ter sido concedida a oportunidade de demonstrar a qualidade do seu trabalho e a prova dos seus conhecimentos e métodos qualificados e, por outro lado, por não acreditar que alguém não possa ser superado, por maior e mais acabada obra que tiver realizado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

SE VENCER O MEU VOTO, NÃO FESTEJO




          No próximo domingo cumprirei o meu dever de cidadão, indo votar. Fá-lo-ei convencido de que fiz a opção certa , em função das propostas que me foram apresentadas e das equipas que as formularam e se disponibilizaram para as cumprir. Faço-o em total liberdade, decidindo por mim próprio, supesando os prós e os contras, valorizando o que, sob o ponto de vista pessoal, melhor se aproxima das minhas convicções, mas, acima de tudo colocando o bem colectivo e o progresso da minha terra em primeiro lugar.
           Se o meu voto acompanhar a expressão maioritária que decidir o vencedor, rejubilarei por estar ao lado de muita gente que pensa como eu. Mas a minha satisfação não se revelará através de manifestação pública por não apreciar, nem apoiar, a futebolização de vitórias políticas que representam actos de superioridade sobre cidadãos iguais a mim, que, como eu, pensaram ter escolhido a melhor opção e só servem para fomentar azedume e frustração.


              Se os meus concidadãos optarem de forma diferente da minha só me resta reflectir sobre aquilo que não consegui descortinar e me  levou a tomar o caminho errado. Se assim acontecer só me resta acatar democraticamente os resultado da vontade da maioria e desejar que os vencedores possam concretizar com total êxito o programa que submeteram ao sufrágio popular.

PORTAGENS NA A28 - SUBSCRIÇÃO

            Decorre já algum tempo, em  http://www.peticao.com.pt/a28-sem-portagens, um abaixo-assinado que visa evitar a cobrança de portagem na A28. O assunto, podendo interessar individualmente, suscita também um comportamento solidário para com os habitantes do Alto-Minho, tendo merecido, segundo declarações de responsáveis de várias forças políticas, total apoio e rejeição do propósito de portajar uma via que não tem alternativa aceitável.

QUAL O MELHOR PARA AS RELAÇÕES COM A CÂMARA?

           Não se recandidatando, por ter sido eleito deputado, Defensor Moura deu lugar à renovação do cargo de presidente da Câmara Municipal que ocupou durante os últimos dezasseis anos.Em seu lugar, indigitado pelo PS, vai submeter-se a sufrágio o Engº José Maria Costa, o qual, no executivo de maioria absoluta a que pertencia, desempenhou sucessivas funções em diferentes pelouros camarários, tendo estado à frente das relações do município com as freguesias, nos últimos anos.
          O outro adversário com expectativas fundamentadas de assumir o lugar de presidente da Câmara é o Dr. António Carvalho Martins, economista e empresário, com currículo na área pública e partidária, tendo exercido o cargo de Governador Civil de Viana do Castelo, entre outros.
          A eleição de qualquer um dos dois nomes acima referidos, independentemente do real interesse que isso representa para a gestão da Autarquia, pode vir a ter (vai ter) algum impacto no modo de relacionamento que se estabelecerá entre a Junta a eleger em Lanheses e o futuro presidente da edilidade do concelho.
           Pela experiência anterior e pondo de parte a figura do presidente cessante, que poderia eventualmente, ter alguma reserva relativamente à população votante da nossa freguesia por nunca aqui ter ganho uma eleição, José Maria Costa, se vier a suceder a Defensor Moura, parece manter um excelente relacionamento institucional com Ezequiel Vale. No caso do vencedor ser Carvalho Martins não parece que aquele bom relacionamento pudesse diminuir, sendo que ambos concorrem pelo mesmo partido.
           Neste aspecto do entendimento privilegiado entre autarquias, que, quer se concorde ou não é prática corrente em muitas regiões, Zé Manel, é, ainda e também, uma incógnita: ganha as eleições e, como independente que é, encosta ao Engº José Maria se for ele a vencer em Viana, como antes fizeram com Defensor Moura os que, naquela qualidade (de independentes) ganharam as eleições nas respectivas freguesias, ou tem que se esforçar afincadamente para cativar as boas graças de Carvalho Martins, se vier a ser este o escolhido nas eleições de domingo.
            Em qualquer situação Ezequiel Vale leva vantagem sobre Zé Manel. Tem mais capacidade de persuasão, melhores atributos de expressão oral, maior experiência dialéctica ao nível das relações com entidades com estatuto de dirigente e melhor qualificação académica.
            Seria bom que os Lanhesenses, no domingo, ponderassem em quem vão confiar os seus votos, tomando em consideração alguns aspectos que aqui ficam focados e que não são assim tão dispiciendos para serem desprezados.
         

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A FEIRA QUINZENAL NAS ELEIÇÕES

            Ambos os partidos concorrentes à Junta de Freguesia incluíram nos respectivos programas referência à feira quinzenal, que se vem realizando há já muitos anos na freguesia de Lanheses. Na proposta de Ezequiel Vale anuncia-se a criação de um espaço para a instalação definitiva do certame, situando-se o local junto à estrada nacional 202, logo à saída, para poente, do Largo Capitão Gaspar de Castro (Benemérito), em terreno pertencente à Casa de Almada. O cabeça de lista dos Cidadãos Independentes, Zé Manel, propõe-se reinstalá-la no referido Largo, local de onde saiu no seu mandato, por força das obras de requalificação que aí se realizaram mudança que, nessa altura, se considerou como o lugar definitivo e apropriado, pelo que o assunto nunca mais foi abordado.
            A procura de um lugar definitivo e com condições ajustadas àquele fim é a melhor solução. O local, perto da área mais povoada de estabelecimentos comercias, tem vantagens e reduz alguns inconvenientes que decorreriam da ocupação quinzenal do Centro Cívico, ainda que esta seja por curto período de tempo (a feira, tradicionalmente, só decorre no período da manhã). Esta é, contudo, uma solução necessariamente mais demorada, que exige negociação de cedência do espaço e investimento razoável, mas, conhecendo-se a forma de actuar de Ezequiel Vale, pode arriscar-se a convicção de que o projecto já aprendeu os primeiros passos. Nunca anunciaria o local se não dispusesse de trunfos importantes.
            Acolho, porém, como alternativa provisória, a deslocalização imediata para o Centro Cívico. O local onde agora se realiza a feira não tem condições decentes e dignas, quer para feirantes quer para as pessoas que a frequentam. Não beneficia o Agrupamento Escolar, que nunca se terá conformado com a opção e perde em visibilidade que limita o seu desenvolvimento. É de assinalar a reconsideração do candidato Zé Manel sobre o assunto, uma vez que, sendo responsável pela mudança, nunca mais manifestou intenção de lhe mexer.
            Pessoalmente, sinto-me satisfeito por ver acolhida uma posição que, publicamente há muito venho a defender. Pode ser pretensioso da minha parte mas não descarto a possibilidade de à lista I ter sido "bufada" a ideia que expandi em conversa informal com amigos, alguns dias antes da campanha eleitoral, na avidez de cativar alguns votos para a sua eleição.
            Há, contudo, um aspecto muitíssimo importante que não está a ser considerado, o qual diz respeito à valorização e crescimento da feira. Nenhuma junta, até hoje, tomou qualquer medida, teve uma ideia inovadora, promoveu qualquer acção que visasse aumentar a importância comercial e explorasse o seu potencial económico e social. E, no entanto, há muitas acções que podem ser tomadas sem envolver quaisquer gastos adicionais, se se recorrer às valências que a própria população produz, reavivando nela o brio bairrista que é apanágio da gente de Lanheses.
            Tal como há anos defendi (talvez sozinho) a manutenção do posto de gasolina, actualmente desactivado, por lhe atribuir interesse para o comércio local em virtude da sua enorme procura e, consequentemente, atrair pessoas que  se abasteciam no comércio à sua volta (Lanheses era, então, um posto de abastecimento de combustível com casas à sua volta...), ainda mais convictamente estou seguro que a feira quinzenal pode, e deve, merecer a melhor atenção dos nossos autarcas. E, no campo das iniciativas criativas, toda a gente sabe quem à frente vai.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

UM SLOGAM COM QUATRO ANOS DE ATRASO

          "LANHESES TEM DE MUDAR"

            Desígnio cumprido! Há QUATRO anos atrás...

PROGRAMAS ELEITORAIS SEM PDM

           As propostas programáticas apresentadas pelos candidatos ao sufrágio do próximo domingo ignoraram o tema da revisão do PDM, cuja versão em vigor não satisfaz grande parte da população da freguesia, principalmente pela área destinada a construções e pelos fortes condicionalismos impostos para o mesmo fim, constituindo a sua aprovação motivo de forte contestação e desagrado. As áreas previstas para a construção foram consideradas insuficientes, para além de outras estarem de tal modo condicionadas que, dificilmente, poderão interessar a quem aqui pretender fixar-se, construindo habitação própria. Tal facto, está já a reflectir-se em jovens casais que optam por se mudar para o concelho vizinho de Ponte de Lima, onde vigora uma política de ocupação do solo muito mais atractiva, em função dos encargos com aquisição de terrenos e simplificação do processo e taxas aceitáveis.
            Sabemos que a alteração do PDM é um processo moroso e complicado, tanto mais que o actual tem ainda pouco tempo de vigência e, para ser agendada pela Câmara, carece de consenso amplo e argumentos bem fundamentados.
             Por outro lado, a futura junta, deveria considerar a criação de um PLANO DE PORMENOR, ou outro instrumento no caso desta designação não ser a apropriada, que definisse todas as estruturas de um aglomerado urbano, designadamente arruamentos, equipamentos de lazer, redes de saneamento e abastecimento de água e gás, fibra óptica,  zonas verdes, enfim, o desenho técnico e pormenorizado de uma terra com aspirações, como Lanheses.
              A sugestão que pretendo formular nada tem a ver com a referência inserta em alguma propaganda distribuída do tipo "Planeamento e Urbanismo" seja lá o que for o que com isso se pensou dizer. Pretendo, isso sim, que tudo seja claramente definido, as regras a seguir, como e onde, numa perspectiva  do interesse das pessoas. Urge, segundo o que se ouve por aí, estabelecer regras mais exigentes na política dos terrenos onde é permitida construção, que travem a especulação e o adiamento "ad aeternum" por parte de quem, na realidade, não pretende edificar.
      O desenvolvimento esperado da Zona Industrial que se veio juntar às necessidades dos agentes  do Agrupamento Escolar, irão pressionar a procura dos terrenos que lhes permita a fixação junto dos seus locais de trabalho, com os óbvios benefícios que isso reflecte na economia local.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

CONHECI AMÁLIA, A FADISTA, EM LANHESES

            Passa hoje o 10º aniversário do falecimento de maior fadista de sempre, Dona Amália Rodrigues, e o país chora, ainda, a perda física da inolvidável artista como se pôde constatar nas referências ocorridas em todos os jornais, rádios e Tvs.
            Tive o privilégio de a conhecer pessoalmente após uma inolvidável actuação na Casa do Povo (edifício actual), em data que não posso precisar no momento em que escrevo estas linhas mas que reporto ao final da década de 60. No fim do espectáculo, a artista portuguesa mais conhecida no mundo inteiro, idolatrada e aplaudida por todas as classes sociais, envolvida numa auréola de insinuante simpatia e simplicidade, conversou durante várias horas com todos os presentes sem sombra de enfado ou cansaço. Na oportunidade, conheci o grande poeta Pedro Homem de Melo, enamorado de Viana e da região Minhota, com casa em Afife onde passava muito tempo, grande amigo e devoto admirador da grande artista e que acompanhava por todo lado.
             Amália perdorará para sempre na memória colectiva da nação portuguesa e a sua voz prodigiosa, única, vai continuar a inspirar artistas a autores, para fazer as delícias dos seus incontáveis admiradores.
             Obrigado, AMÁLIA, foi uma honra ter vivido na tua época.
          

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

AS PROPOSTAS DOS CANDIDATOS À JUNTA DE FREGUESIA

             Do primeiro prospecto de que tive conhecimento da lista "I" CIDADÃOS INDEPENDENTES, o candidato Zé Manel recupera um slogan da campanha da presidente do PSD, Ferreira Leite, pela qual, certamente, ainda conserva alguma admiração do tempo em que era filiado naquele partido, propondo-se FALAR VERDADE. E, para isso, começa por afirmar que, "com sinceridade e trabalho se pode fazer mais e melhor (já agora uns eurozitos também dariam algum jeito, penso eu), devido às boas relações de cooperação que sempre tive e tenho com a Câmara Municipal e outras entidades da Administração Central"(sic). Pois, um presidente de Junta, sincero e trabalhdor, sincero como o caraças e trabalhador quanto um escravo, ainda por cima bem relacionado, chega lá junto do tipo que lhe fez a promessa na campanha eleitoral, de chapéu debaixo do braço, o melhor galaço da capoeira na cestinha, e pronto!, aqui está o despacho que aprova a grande obra da calçada à portuguesa do caminho que leva à casa dos compadres. É grande presidente! (palmas e foguetes).
         Depois invoca-se a mulher de César que, lá onde estiver há já um ror de anos, já nem quererá ouvir falar dela tantas são as vezes que em que é invocada a despropósito, como é o caso. Isto, porque uma evidência é uma evidência, os documentos não foram forjados e a dívida existiu! Transparência, é o que se exige.
        Parece ter sido, finalmente, revelado o mistério dos quatro anos de ausência do candidato Zé Manel da vida pública: as inúmeras pessoas "ludibriadas" que lhe rogaram, quiçá com promessas de idas a Fátima a pé e sem comer e falar, para que quebrasse o seu nojo voluntário e cumprisse o seu destino: salvar Lanheses, "rapidamente e em força", como diria o outro.
       Segue-se, depois uma referência fotográfica a equipamentos que surgiram na freguesia nos dezasseis anos do exercício zémaneliano, pretendendo fazer crer que foram obras da Junta, quando, mesmo os mais distraídos sabem que não é bem assim: o Parque Empresarial, a Etar o Saneamento Básico, o Centro Escolar, para só referir algumas são obras estruturais para as quais as Juntas de Freguesia em nada contribuem (ou muito pouco), por serem da responsabilidade do Governo Central, algumas para cumprimento de directivas comunitárias e às quais as Câmaras nem sequer se podem furtar.
        Num outro prospecto, pretensamente mais elaborado, faz-se uma elencalização de promessas e levar a cabo, caso venha a ser eleito. É um mero exercício de demagogia mal assimilada, sem base substantiva de concretização no período de mandato, algumas delas e pretensamente inovadoras, não justificadas por quaisquer dados objectivos que lhes dessem exequibilidade. Quem vai acreditar que Zé Manel tem meios para reduzir a factura do consumo da electricidade em 20% (vinte!!!). Nem o Primeiro Ministro se atreveria a fazer tal promessa!
    Para concluir, reparei que,tendo sido adjudicadas e construídas no exercício do Zé Manel as importantes obras de consolidação da ponte de Lanheses e a construção de ponte de acesso ao monte de Lanheses sobre a A-27, ele as não tivesse mencionado. É que, em relação à segunda, era de perguntar como é que um autarca "sincero e trabalhador" permitiu aquela ofensa à dignidade de uma terra como a nossa.
      Não me vou alongar muito na análise das propostas apresentadas pelo candidato Ezequiel Vale, recomendando todavia uma leitura atenta e comparativa com a alternativa do opositor.
        É uma exposição clara, segura, pragmática, entendível e realista. Tem a génese do conhecimento dos casos em pormenor resultantes da experiência adquirida ao longo destes últimos quatro anos, que são os que Ezequiel Vale leva à frente da Junta. É exequível para o mandato porque é feito tendo em consideração os objectivos traçados e a obra já concretizada. Não contém idéias ou projectos de nefelibata e, sem qualquer sombra de dúvida, marca um rumo para a freguesia. É fazível, como diria o amigo Ernesto.
          Metaforicamente, a proposta da lista de Cidadãos Independentes, é uma girandola digna das Festas da Senhora da Agonia: deslumbrante de se ver, mas desvanece-se em breves segundos. A de Ezequiel Vale é real porque podemos comprová-la no presente e, sem esforço, projectá-la para o futuro. Temos, nunca o diria se disso não estivesse convencido, o homem certo para liderar a excelente escolha de colaboradores que o vão acompanhar.
       Não resisto, antes de concluir, e na qualidade de cidadão atento e interessado no progresso da minha terra, seja o vencedor do próximo domingo o Zé Manel, que muito respeito e considero ou, Ezequiel Vale, em quem reconheço óptimos predicados e competência executiva, venham a ter perante a Autarquia da tutela, seja qual for a cor do partido que o eleger, uma atitude de firmeza, persistência e, com argumentos convincentes e sustentados num bom trabalho de casa, para recuperar Lanheses para a lista da frente das localidades do concelho.
    É necessário elevar o tom de voz, reclamar veementemente as vantagens da nossa centralidade priviligiada, os direitos postergados desta e doutras freguesias que nos são adjacentes, incluindo da margem esquerda, para acedermos aos benefícios sociais, de saúde, de educação e equipamentos actualmente só existentes nos grandes centros urbanos. Ezequiel Vale e a Drª Manuela Carvalho, desempenharão, na Assembleia Municipal, as suas obrigações com toda a competência, se esta for a decisão do eleitorado de Lanheses.  

CAÍU O "AVIADOR"

          Não, felizmente não se trata da queda de um avião e do seu piloto. O título escolhido tem a ver com a saída do treinador da Académica de Coimbra, Rogério Gonçalves, após concluída a 7ª jornada da I Liga. (Sei qual é a marca da cerveja, mas não digo, a Super Bock é melhor...).
         O Rogério volta a não ser feliz. O seu ingresso na Académica não foi pacífico e, desde logo, ficou claro que só uma carreira de sucesso poderia mantê-lo em Coimbra, o que não aconteceu. Com um plantel "curto", jogadores sem grandes potencialidades e em forma precária e uma oposição à presidência que não lhe perdoaria os insucessos, marcaram o seu destino nos estudantes. Nestas situações, o treinador é o elo mais fraco e o Rogério deixou de ter condições para continuar.
       É a vida dos treinadores, até a dos bons, como o nosso amigo "Aviador". Mas por ser jovem, talentoso, honesto e trabalhador, em breve encontrará um projecto à sua altura e ambição.
       

U.D. LANHESES aprende com o S. Braga

                                          No Estádio 15 de Agosto, em Lanheses, domingo, dia 3 de Outubro:

U.D. Lanheses, 4 - Vitorino das Donas, 0 (Ao intervalo: 2-0).

Quatro jogos, 4 vitórias! Na senda do S.C Braga, o Lanheses soma e segue. É só golear e a jogar bonito. O povo gosta e José Pereira, o presidente, e o Henrique (Meia-Noite) treinador, de sorriso de orelha a orelha, já sonham ver estes rapazes a "desenhar" num relvado para aquele futebol! Quem sabe da poda é o podador...

Titulares e suplentes, com os treinadores, no encontro ontem disputado.


    No intervalo, foram apresentadas as equipas da formação do clube, incluindo a de futsal feminina, que revelam o excelente trabalho que tem vindo a fazer a equipa liderada pelo dinâmico Zé Pereira.

sábado, 3 de outubro de 2009

AO JEITO DE COMENTÁRIO POLÍTICO

OS CONCORRENTES À JUNTA DE FREGUESIA








Ezequiel Vale, o presidente









Zé Manel, o candidato

Às eleições para a Junta de Freguesia de 11 de Outubro de 2009, concorrem apenas dois candidatos: Ezequiel Vale, pela coligação PSD-PPD/CDS-PP e, Zé Manel, pela lista de Cidadãos Independentes de Lanheses.
      Ezequiel Vale, foi eleito há quatro anos para um primeiro mandato, pelo mesmo partido, em confronto com Manuel Loureiro (PS), por insusfimável maioria de votos. Zé Manel, que não foi opositor naquela disputa, deixava o lugar, por opção, após ter exercido o cargo durante dezasseis anos, sendo que os dois primeiros mandatos foram como cabeça de lista do PSD, no qual era filiado, passando a Indepedente após lhe ter sido retirada a confiança política do partido a que pertencia.
     Um e outro candidato estão na idade de realização pessoal definida e usufruem de margem de independência e estabilidade profissional estável.
     Ezequiel Vale possui habilitação académica de grau superior, é professor efectivo de educação física há vários anos, tendo experiência na área da gestão escolar, quer no desempenho de cargos nos órgãos directivos das escolas secundárias, quer como principal responsável do desporto escolar a nível do distrito, quer como delegado regional do Instituto do Desporto de Portugal em Viana do Castelo. Do seu curriculo académico consta, ainda, a participação em organizações estudantis.
     Zé Manel, após ter passado alguns anos em África, estabeleceu-se comercialmente nesta freguesia, tendo sido presidente do União Desportiva de Lanheses, em acumulação com as funções da Junta.
      A gestão de Ezequiel Vale tem sido vincadamente pragmática e eficaz. Rapidamente equilibrou as finanças e a confiança dos fornecedores, reestruturou os serviços e a racionalização dos gastos partindo, a seguir,para a concretização das ideias inovadoras que definem o seu mandato: criação de zonas de lazer e desporto, requalificação de espaços urbanos e vias rodoviárias, apoio aos idosos e associações locais. Obteve uma vitória difícil "in extremis" no complexo caso dos terrenos do Largo Capitão Gaspar de Castro, lançou a criação do Núcleo Museológico, criou necessários parques de estacionamento e, resolveu, sem conflitos, o melindroso problema da toponímia, há muito requerida. E claro, que a obra não se esgota nesta sintese retrospectiva feita de memória. Mas, o que na verdade deve ser realçado no consulado  do professor Ezequiel, é a diferença da sua liderança moderna que rompeu com uma gestão tradicional e arcaica, há muito abandonada por outras freguesias que nos deixaram para trás.
      Também, entendemos que o actual presidente possui forte capacidade de argumentação por estar traquejado na defesa de pontos de vista em reuniões e perante órgãos de poder liderados por pessoas experientes que têm der ser confrontados com argumentos irrebatíveis e plausíveis para sereem aprovados. É  público que, mesmo sendo a Câmara Municipal dum partido que não é o que elegeu Ezequiel e, nesta localidade, ter sofrido desaires sucessivos desde 1974 ter ele conseguido um relacionamento senão priiviligiado pelo institucioonalmente correcto e imparcial.
       A tentativa de regresso do Zé Manel é, no mínimo, intrigante e, no dizer do fino humor dos "Gatos Fedorentos" digna de ser "esmiuçada". Não convence o argumento de pretender lavar a sua imagem e, muito menos pensar que poderá fazer melhor. Teve dezasseis anos para fazer obra e, certamente, fez. Mas é dele a requalificação do Centro Cívico, a implantação na Zona Empresarial da Cercial, o imbróglio da Bomba de Gasolina, para só lembrar os mais relevantes, para além de uma gestão voluntarista e de caça de espera.
       E que fez o candidato Independente nestes últimos quatro anos? Frequentou e obteve com sucesso algum curso profissional de gestão empresarial? Relacionou-se com figuras influentes capazes, que lhe grantiriam significativos apoios para levar a efeito projectos importantes? Concitou  à sua volta figuras proeminentes da freguesia que vêem nele capacidades  que o seu opositor não possui? De que se terá arrependido Zé Manel?
       Para só falar dos presidentes de Junta após 74, nunca Lanheses teve uma gestão tão categorizada como a do consulado de Ezequiel Vale. A aceitação de continuar por mais quatro anos é uma benesse que não pode ser recusada. No futuro seria desejável que outros lanhesenses igualmente qualificados se disponibilizassem para a substituir, o que poderá não ser assim tão natural. Porque o lugar, pode trazer prestígio pessoal mas só os devidammente qualificados deveriam ocupá-los.
       Termino plagiando um anúncio que presentemente passa nas TVs:
       -Podia Lanheses sobreviver sem Ezequiel Vale? Podia, mas não seria a mesma coisa...

HÁ TRINTA E CINCO ANOS A ENSINAR DEMOCRACIA



O criador: Ezequiel Vale                               O demolidor: ANÓNIMO